Para Andreia, mãe de Emanoel, a escola facilitou a interação do seu filho com outras crianças
Para Andreia, mãe de Emanoel, a escola facilitou a interação do seu filho com outras criançasFoto: Brenda Alcântara/Folha de Pernambuco

É no ambiente escolar - mais precisamente no Ensino Infantil - que o indivíduo começa a se desenvolver e passa a enxergar o mundo. Esse processo de aprendizagem é fundamental e fará toda a diferença no comportamento futuro dessas crianças. Mas, dentro desse meio, existe uma parte da educação que é responsável por promover a inclusão e ensinar sobre as diferenças, limitações e habilidades do outro: a educação especial. Mas incluir não significa apenas inserir a pessoa com deficiência no ensino regular. É necessário se preocupar em oferecer um acompanhamento específico e pedagógico que estejam voltados para cada criança, até porque cada uma delas possui uma maneira e um espaço de tempo diferentes para se desenvolver.

“A escola é o segundo espaço mais importante de interação social para esses alunos, depois do convívio em família. É dentro da sala de aula que ensinamos sobre o respeito às diferenças e também promovemos atividades que respeitem as habilidades específicas de cada criança, tornando a inclusão uma construção diária”, explicou Jocéia Oliveira, professora do Atendimento Educacional Especializado (AEE) da Escola Engenho do Meio, na Zona Oeste do Recife. A educadora alerta para a participação dos pais no ensino, formando um conjunto com a escola, e tornando o desenvolvimento das crianças especiais ainda mais eficaz. “O processo de desenvolvimento desses alunos não passa apenas pelos professores ou gestores, mas é um conjunto de toda a escola ao lado das famílias. Essa união é o que faz toda a diferença”, acrescentou.

Na prática, a evolução social, motora e intelectual fica explícita, afinal, é dentro da escola onde a criança encontra os mais variados estímulos e contatos com diferentes situações. Para Andreia do Nascimento Bezerra, mãe de Emanoel Bezerra, que tem 16 anos e possui deficiência intelectual, o ensino especial e inclusivo agiu como um catalisador no desenvolvimento do menino. “Ele tinha uma grande dificuldade de aprender e de interagir com outras crianças, até que iniciou a caminhada na escola.

Os médicos sempre me diziam que ele não teria como evoluir, mas percebi com o passar do tempo a grande melhora que ele me apresentou, tanto na parte comunicativa, quanto na identificação de outras crianças, criando afeto e iniciando uma amizade com elas. Isso tem me deixado bastante orgulhosa”, comemorou a mãe, que hoje acompanha a caminhada de Emanoel no 5º ano do Ensino Fundamental.



Crianças com microcefalia
Em 2015, Pernambuco foi acometido por um surto do Zika Vírus que acabou atingindo diversas grávidas, o que gerou um alto índice de crianças com má formação no cérebro, ou seja, bebês com microcefalia. Pensando em integrá-las e socializa-las dentro do ambiente escolar, a rede de ensino do Recife está montando um projeto para acolher esses novos estudantes a partir do próximo ano.

Espera-se que, ao todo, 74 crianças sejam recebidas em escolas e creches-escolas a partir de 2018. Os profissionais, inclusive, já iniciaram uma qualificação específica voltada ao tema para que essas crianças possuam dentro da sala de aula todo o suporte necessário para uma evolução. A iniciativa é da Divisão de Educação Especial.

Outra novidade para o próximo ano é que a rede municipal também receberá um Kit Multissensorial, facilitando ainda mais o trabalho dos professores no desenvolvimento de atividades lúdicas e sensoriais com essas crianças. O conjunto é composto por dez objetos, todos com o intuito de estimular as funções visuais, auditivas, motoras, táteis e cognitivas das crianças com microcefalia.

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