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Graham Tidey

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Em sua estreia no Portal FolhaPE, Graham Tidey conversou com o músico Alceu Valença
Em sua estreia no Portal FolhaPE, Graham Tidey conversou com o músico Alceu ValençaFoto: Divulgação

O cônsul britânico Graham Tidey estreia nesta quinta-feira (8) sua coluna no Portal FolhaPE. Conheça mais sobre Tidey e leia a primeira coluna abaixo:

Um dos maiores compositores da MPB e poeta, Alceu Valença, esteve presente no In Conversation aonde foram abordados tópicos relacionados à sua carreira artística e vida pessoal. Desde a sua infância, Alceu teve um forte contato com a cultura musical nordestina, além das influências de seu avô que era violeiro. Como estudante, Alceu optou pela área acadêmica de direito. No entanto, o artista resolveu mudar os mares e investir em sua carreira musical, que hoje já lhe rendeu diversos prêmios e discos.

Sem dúvidas Alceu Valença é uma personalidade que pode inspirar e fascinar muitas pessoas pela sua história e trajetória bem sucedida. No seguinte texto, podemos conhecer um pouco de sua admiração pela música e filosofia de vida. Na década de 1960, aos 19 anos de idade muito que inesperado, o músico teve a oportunidade de ir para os Estados Unidos estudar enquanto fazia sua graduação em direito. Alceu contou que por meio de uma poesia cativou aqueles em cargo da seleção.

“Era de várias perguntas, era uma prova e dentro dessa prova tinha coisa de economia, tinha coisa falando sobre talvez um pouco de geopolítica e tal e neste momento fizeram essa pergunta meio filosófica e eu respondi com uma poesia e depois de um tempo veio o resultado, chegaram aqui e disseram que nunca tinham visto alguém durante o tempo que esse programa tava sendo realizado ninguém tinha feito uma coisa tão maluca como aquela e o maluco era eu”, conta Alceu.

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Em sua chegada ao estrangeiro, o artista se viu engajado na sociedade americana, interagindo com diversos grupos culturais, convivendo com diferentes pessoas e conhecendo célebres figuras americanas. Na época, a emergente onda hippie dava forças para a criatividade na sociedade. O artista comenta momentos aonde ia em uma praça em Boston tocar canções: “eu pegava o violão, ia pra rua e tocava, aí os hippies enlouqueceram com aquela música que eu tava levando, que eu cantava, que eram músicas daqui, coisas nordestinas, daqui do Nordeste, de Pernambuco.” relembra Alceu. Em um desses dias, um jornalista que passava pelo local ficou surpreso ouvindo os novos ritmos de violão que saíam das cordas.

Alceu Valença, cantor



Com canções nordestinas e tratando-se também de questões críticas, da época da ditadura militar, o músico tem uma prazerosa memória daquele momento quando seu nome saiu em um jornal local, conta: “Aí ele coloca na primeira página do Fall River assim: “ao Seu Valença, o Bob Dylan ”, “ The Brazilian Bob Dylan ” e “the protest song”. É incrível, né?”.

O artista fala que muitas vezes a criatividade para composição é uma coisa muito
espontânea, pode ocorrer em momentos muito rotineiros sem que nos demos conta. A canção “Anunciação” teve sua criação dessa maneira, relembra: “Eu estava aqui e eu tinha uma flauta e eu comecei a tocar a flauta, fui ali, daí tocando uma melodia que me vinha à cabeça. Andando. Fui até o Mosteiro de São Bento, voltei, entrei novamente em casa e tal, e de repente uma pessoa aqui falou “Eita música bonita!” e eu falei “Que música?”, eu perguntei. “Aquela que você tava tocando”, você achou? “Achei, É linda a música”.

Aí eu ia perder a música, aí eu peguei e fiz uma letra, a letra da música que significa todo o caminho que eu percorri indo até o Mosteiro, as roupas no varal, que significa as roupas que estão lavadas, que estavam ali no quintal, e pronto, fiz dessa maneira.”

O compositor também expressou sua visão a respeito do “mundo digital” de atualmente e como isso influencia seus fãs. Nos anos 1980 a maneira que a sociedade se comportava era totalmente diferente da atual. Sair na rua sozinho, pipocada, tropicana era uma coisa comum e agradável. As pessoas o conheciam mas não era aquela afoice para tirar foto, autógrafo e tudo mais.

“Hoje em dia tem uma coisa que é a tal ta selfie que é, eu compreendo, mas é uma coisa muito complicada porque, digamos, você está indo, eu tô indo ao encontro de alguma coisa, vamos dizer, eu to saindo daqui de casa pra pegar alguém no aeroporto aí eu vou ter que parar ali pra poder tirar foto. Se você não tirar é uma verdadeira agressão, as pessoas se sentem agredidas, entendeu? E aí é muito chato, eu acho meio chato. Não tirar aqui ou acolá uma foto, não é isso não, é a obrigatoriedade de você…” comenta.

Existem situações que se tornam inconfortáveis por conta desses comportamentos, e algumas um tanto quanto cômicas, comenta o artista: “Tem umas certas invasões de privacidade que são até engraçadas, uma vez eu estava aqui de cueca, quando eu olho, estava sendo pintada a casa, como estava sendo pintada, o cara deixou, o rapaz que estava fazendo a pintura foi almoçar e deixou a escada no chão, botaram a escada. Quando eu cheguei ali, o cara subiu pela escada e tava tirando foto.”

É difícil não ter um smartphone atualmente e praticamente todas as pessoas levam um ou mais consigo. Tratando-se dos shows, Alceu fala do espetáculo que é ver o público se divertindo e comenta que alguns perdem um pouco da real experiência do show por estarem mais preocupados em gravar no celular. “Não tá curtindo o show, tá mais preocupado com a gravação, nunca entendi por que as pessoas fazem, isso. porque depois vai sair o DVD , vai ter uma gravação bonita, vai ser tudo.” indaga Alceu.

O artista detalhou alguns problemas que enfrenta em certos momentos de sua vida, e como faz para afastar a má energia de sua vida. “Às vezes eu fico, eu tenho meus problemas também de, não sei se “deprê” não, essa ansiedade às vezes tenho, um pouco disso aí, caio nela e saio também. Um monte de gente tem isso.” conta. “Eu não sei, minha mulher às vezes fala que eu não sei muito às vezes ler o que tá dentro de mim, às vezes é uma coisa e eu penso que é outra.”.

O aprendizado que podemos tirar desses momentos com Alceu Valença são: todos somos seres humanos, temos falhas e erros, precisamos ser coerentes e agir de acordo as nossas virtudes, tudo aquilo que nos faz bem deve ser priorizado e devemos ser resilientes até o fim.

O programa “In Conversation” é para pessoas como eu que encontram  inspiração aprendendo com os comportamentos, mentalidades e experiências de pessoas bem-sucedidas. Veja o vídeo abaixo:



Leia mais sobre In Conversation aqui:
medium.com/@grahamtidey

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* Graham Tidey, que atua no consulado britânico do Recife há pelo menos três anos e está no Recife desde 2012. Com formação em música, até chegar ao consulado, Graham Tidey trilhou caminhos diversos. De estoquista de supermercado a empreendedor, até ser nomeado cônsul em 2015, uma trajetória encarada com proatividade e ensinamentos que lhe deram ferramentas para assumir a função de representante do Reino Unido no Nordeste. No Estado, Graham firma parcerias nas áreas de pesquisa, investimento em empresas, turismo e desenvolvimento de projetos.

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