In Conversation

Graham Tidey

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Hermila Guedes, atriz
Hermila Guedes, atrizFoto: Brenda Alcântara/Folha de Pernambuco

Em meio a diferentes personagens e personalidades, a atriz Hermila Guedes transmite pedaços de mestria em seus trabalhos. A pernambucana que tem mais de 20 anos de carreira já tomou papel em variados filmes e tele novelas brasileiras. No In Conversation, Hermila contou traços de seu papel artístico e de sua vida pessoal.

O ditado popular “Dar vida ao personagem” é uma das essencialidades que todo ator busca aperfeiçoar em sua carreira. Essas qualidades podem ser desafiadoras, mas quando são bem desenvolvidas trazem às telas energia e inspiração. Afinal de contas, quem nunca se emocionou assistindo a um bom intérprete?

Hermila Guedes é a figura completa nesse quesito. A atriz conta que utiliza a música como uma fonte de inspiração para o crescimento de seus personagens, para expandir o “feeling” na hora de buscar estímulo, de se imaginar vivendo como o protagonista em diferentes tempos, analisando seus comportamentos para torná-los o mais completo possível: “Quero fazer meus personagens mais fortes, mais... Sabe? Quanto mais incríveis eles forem, pra mim eu acho que tô inspirando outras pessoas, tô dando mais dignidade a eles, tô dando mais humanidade, então quanto mais eles forem cheios de camadas, de nuances e de personalidade de pessoa, de humanidade, né? Mais eu inspiro as outras pessoas que tão vendo o meu trabalho, sabe?”, conta a atriz.

A capacidade de realmente destacar um personagem é uma característica da atriz que é impulsionada por sua força de vontade em fazer o melhor papel possível quando está trabalhando em um novo roteiro: “Eu tenho... quando que faço uma coisa, faço com muita vontade, assim. E eu faço com... posso trabalhar até com o impossível, se for o caso. Eu vou, eu me jogo mesmo, eu vou até o fim. E, é falar do despudor, acho que poucas atrizes tem esse despudor de ficar nua, de às vezes ficar feia, de às vezes ficar... enfim, tem poucos atores que encaram esses trabalhos, porque você vai ter uma exposição de uma imagem que você construiu de você mesma. E ai eu acho que eu não tenho essa vaidade, essa coisa de ... então eu quero o melhor pro personagem, pra personagem, e não pra mim, não para Hermila. Então... é como se eu quisesse ser uma página em branco, Hermila atriz ali entregando seu corpo para que aquela pessoa exista. Eu quero ser uma página em branco, e dali virar outra pessoa, outra coisa.” relata. Guedes ressalta que não fica “presa no tempo” analisando suas performances, buscando fragilidades e defeitos. A atriz tem orgulho dos seus feitos e não mostra arrependimentos.

Em meio à digitalização global, existem muitas mídias sociais que incentivam comercialização das coisas. É muito comum observarmos grandes empresas contratando personalidades conhecidas, famosos em geral para divulgação de produtos, estrelas que compartilham tudo nas redes sociais, influencers e demais variantes. No caso da atriz, essas novas maneiras não definem sua identidade.

Guedes prefere a frugalidade: “Eu acho que a simplicidade já tá na minha pessoa, assim, de onde eu vim, impossível não carregar isso, né, assim. Eu tenho família muito tranquila assim, de muita força e muito pé no chão, sabe, muita dignidade, então tinha que tá...estava aqui. É claro que eu poderia ter buscado isso, eu poderia ter investido mais nisso, mas eu acho que não seria eu, entende”, conta a atriz. É muito comum nos depararmos com pessoas que baseiam suas vidas na tela de um smartphone, que vivem suas vidas assentadas em um “feed de notícias”. Pessoas como Hermila que levam a vida de maneira mais tranquila certamente não tem tantas preocupações fúteis como aquelas que por intermédio da tecnologia deixam de aproveitar pequenos momentos da vida.

Do mesmo modo, atriz falou um pouco sobre a perda de seu pai quando ainda era uma criança. O pai de Hermila era policial e foi assassinado quando ela tinha 10 anos. Uma fatalidade dessa magnitude cria traumas e levanta muitas dificuldades para qualquer pessoa, ainda mais quando pequena. A falta da figura paterna prejudicou de certa forma seu crescimento.

Apesar disso, sua família sempre esteve presente em momentos difíceis e isso foi muito importante para ela: “Olha, eu tenho uma família de muitas mulheres, no interior, inclusive de algumas, a minha avó, que foi abandonada pelo marido. E... é um pouco triste, porque ao mesmo tempo que você sobrevive nesse mundo com ausência masculina muito forte, você também sente que ela atrapalha um pouco do seu desenvolvimento como ser humano, como mulher, como pessoa. E a perda do meu pai, como foi uma tragédia muito repentina e de uma maneira muito ruim, embora meu pai tivesse junto, a minha mãe sempre foi muito mais forte dentro da... ela que comandava tudo, ela era a voz mais forte dentro de casa, sabe? Por conta da educação dela, sem pai, sem ninguém. E porque meu pai também não queria contrariar, eu acho. Essa força feminina sempre foi muito for...presente, inclusive na minha referência de educação também. Mas ao mesmo tempo, minha mãe, ela tinha fragilidades como qualquer ser humano. Fragilidades com relação a essa ausência que meu pai fazia, e isso compromete um pouco a relação dela com a vida, eu acho, porque ela ficou um pouco mais durona, mais... e isso dificultou a nossa relação de alguma maneira, essa cobrança foi maior com relação a gente também, eu acho. Porque ela não tinha com quem dividir muita coisa.” relembra Hermila.

Em muitas ocasiões, experiências como essa ensinam nós a persistirmos e lutarmos contra os nossos problemas na vida, gerando novas pontes em nosso desenvolvimento como seres humanos. A importância de ter fé, esperança e confiança nas coisas e na nossa família é uma virtude que todos deveríamos buscar efetivar. Esses atributos fazem parte de hábitos rotineiros da artista que destaca: “Eu tenho fé que no final tudo dá certo. Eu tenho uma família muito especial, é muito rica, assim, de virtudes, muito rica de dignidade, muito rica de força. E, eu me sinto muito orgulhosa de fazer parte dessa família. Acho que... parece ser difícil fazer personagens, mas elas estão aqui muito fortes dentro de mim, sabe. Elas são muitas...elas são muitas dentro de mim. É como se essa família tivesse me preparado para muita coisa na vida.”

O programa “In Conversation” é para pessoas como eu que encontram inspiração aprendendo com os comportamentos, mentalidades e experiências de pessoas bem-sucedidas.

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* Graham Tidey, que atua no consulado britânico do Recife há pelo menos três anos e está no Recife desde 2012. Com formação em música, até chegar ao consulado, Graham Tidey trilhou caminhos diversos. De estoquista de supermercado a empreendedor, até ser nomeado cônsul em 2015, uma trajetória encarada com proatividade e ensinamentos que lhe deram ferramentas para assumir a função de representante do Reino Unido no Nordeste. No Estado, Graham firma parcerias nas áreas de pesquisa, investimento em empresas, turismo e desenvolvimento de projetos.

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