In Conversation

Graham Tidey

ver colunas anteriores
Marco Carnut, é cientista da computação e especialista em tecnologia da informação
Marco Carnut, é cientista da computação e especialista em tecnologia da informaçãoFoto: Anderson Stevens/Folha de Pernambuco

A expansão tecnológica continua se estendendo de maneira mais sagaz a cada segundo em nossas vidas. Pode parecer insano colocado dessa maneira, mas a cada vez que piscamos milhões de dados são transmitidos através de plataformas e redes sociais. Hoje termos como “Big Data”, “Internet das coisas”, “Criptomoedas”, entre outras denominações se tornaram uma realidade um tanto quanto “inesperada” pela rapidez que se expandiu em nossa classe.

Esse é um dos motivos pelo qual devemos buscar informações e novos saberes para acompanhar a evolução do mundo. E esse é um dos princípios do In Conversation. O entrevistado, Marco Carnut, é cientista da computação e especialista em tecnologia da informação. É o diretor executivo da CoinWise com seu foco em criptomoedas e blockchains. Na conversa, Carnut contou um pouco de seus passatempos e também falou sobre como a tecnologia estará impactando o nosso futuro nos próximos milênios.

A vida para todos apreciadores da área de tecnologia da informação não é nenhum “mamão com açúcar”. Horas e horas analisando códigos, escrevendo scripts, analisando métodos e realizando pesquisas tendem a queimar muitas calorias cerebrais! No caso de Marco, além de suas atividades de trabalho que possuem um grande foco nesses valores o empresário fala que também possui uma parte de si que tem uma tendência a buscar atividades que proponham uma dispersão de tudo aquilo que é acostumado.

Leia também:
'O importante é saber aproveitar as ocasiões', diz Sérgio Cavalcante
Hermila Guedes: simplicidade e entrega às personagens


No seguinte trecho ele relata sua experiência aventureira de paraquedismo: “Na realidade, você está caindo a 200 km/h naquela posição que os paraquedistas ficam, mas a sensação que você tem é que está voando e é muito legal. Sabe aqueles sonhos que você tem quando você tá voando? É 10.000 vezes mais legal. Há um lado ruim também, depois de você experimentar essa sensação, qualquer montanha russa lhe parece sem graça. Eu sempre tive uma coisa meio escapista no seguinte sentido: sou super apaixonado pelas coisas que eu faço no meu trabalho, na minha vida, etc... mas eu sinto uma necessidade estranha, sempre senti, a vida inteira, nunca soube explicar nem sei tem uma base psicológica pra isso, eu sempre senti necessidade de fazer alguma coisa como que me transportasse pra um universo paralelo, que não tivesse absolutamente nada a ver com a minha vida normal, eu sempre tive esse pendor meio escapista, não sei explicar, sempre fui assim. Então eu tenho essa necessidade de vez em quando de escapar pra algum lugar diferente”. Manter um bom balanço entre o trabalho e a vida é indispensável para que tenhamos a felicidade presente em todas as esferas de nossas vidas.

Marco também conta que em sua vida sempre foi muito autodidata e que isso foi muito importante para o seu desenvolvimento e para sua carreira na tecnologia. Além disso, o cientista fala que certas coisas no mundo digital não são tão simples como são apresentadas nas mídias e é preciso muita dedicação para fazer as coisas acontecerem. Ser objetivo e traçar um caminho é o passo inicial a ser tomado se a intenção é se engajar nos tópicos da tecnologia.

Somente desse modo os estudantes, e entusiastas em geral poderão ter uma visão maior sobre esse mercado gigantesco: “O que eu diria pras pessoas é que, primeiro, é isso mesmo que você quer? Porque o caminho requer uma especialização técnica bem profunda e tem muita gente hoje em dia que acha que a cibersegurança é ‘cool’, é bacana, porque vê nos filmes, etc. Mas a realidade é bem mais dura e exigente do que aparece lá nos filmes e requer você estudar bastante, requer gostar de estar sempre aprendendo. Se você é aquele tipo de pessoa que acha que você pode aprender um conjunto de coisas e viver o resto da vida daquilo que aprendeu e não aprender mais nada, mude de planeta, esse aqui já era. E isso é bem verdade na área de cibersegurança porque a cibersegurança vive a esteio do resto da informática, a informática já anda muito rápido e a cibersegurança vive rápido também. E entenda os fundamentos, está bem? Então você vai falar de ciência da computação, de binário e programação, bits e bytes, o que a gente chama aqui de escovação de bits. Se você é um desenvolvedor de aplicação, se você não é imediatamente da área, não quer dizer que você não consiga, mas está faltando ‘skills’ que você precisa pra esse negócio. É preciso uma tremenda vontade de ir a fundo aos detalhes, uma curiosidade muito grande pelos detalhes sórdidos, é preciso você entender que os manuais e as documentações e as propagandas e as pessoas só te contam uma parte relativamente pequena da história, a ponta do iceberg, você precisa ter a vontade de ir conhecer e explorar essa parte pouco explorada, precisa dessa característica de você buscar os caminhos pouco trilhados, é isso que faz você se diferenciar na área de cibersegurança e não ser só um papagaio repetidor de papagaíces como muita gentalha de segurança é”.

Da mesma maneira que Marco expõe sua visão sobre a cibersegurança, também relata como os crescentes “blockchains” estão entrando em ascensão nas novas linhas digitais da computação. Carnut faz uma analogia muito interessante comparando a maneira que os bancos hoje trabalham: “A gente foi educado, que na época que a gente foi educado pra achar que o saldo que a gente tem na conta do banco é quanto dinheiro a gente tem e na realidade não é nada disso, aquele saldo lá é quanto dinheiro o banco nos deve, que o banco vai pagar se, quando e da forma que quiser. É esquisito isso, se eu chegasse pra você e dizer assim, Graham, vou fazer um grande negócio com você,você é um cara muito rico e é muito complicado você guardar todo esse dinheiro, né? Eu tenho um cofre lá em casa, você coloca o seu dinheiro no meu cofre e eu vou fazer o seguinte, eu te dou esse dinheiro à medida que você for precisando, agora, se você precisar de mais do que 10.000 “pounds” por vez, aí vai ser mais complicado, tá? Então vamos fazer o seguinte, eu digo quando, como e sob que condições você pode pegar o dinheiro que você tá guardando no meu cofre. Ainda lhe cobro os fios aí por causa disso, afinal de contas, dá muito trabalho guardar esse dinheiro... Se eu lhe fizer essa proposta, você ia achar ela ridícula mas é exatamente o que a gente faz hoje com os bancos. O blockchain tá dá uma maneira de você ter esse controle e ter certeza que você detem o seu dinheiro, só você pode controlar o seu dinheiro, acho que eu bati aqui, vou dizer que não, o blockchain te dá uma maneira de você ter certeza que só você tem acesso a esse dinheiro sem precisar ter grandes complicações para guardá-lo e transferi-lo internacionalmente sem fronteiras com muita facilidade”.

Fica muito mais claro quando detalhado dessa maneira, e é até engraçado como isso nos faz pensar de certas coisas que vem sendo utilizadas em nossa sociedade durante gerações e gerações. No entanto, será uma questão de tempo até o momento em que esses “trends” da tecnologia ocupem espaços financeiros nos mercados mundiais. Sem dúvidas será um grande marco para a história da humanidade que será promovido por mentes brilhantes, assim como a de Marco Carnut.

Leia mais sobre In Conversation aqui: medium.com/@grahamtidey

Siga o In Converstion nas redes sociais:

Instagram: @grahamtidey
LinkedIn: /grahamtidey
YouTube: Graham Tidey


* Graham Tidey, que atua no consulado britânico do Recife há pelo menos três anos e está no Recife desde 2012. Com formação em música, até chegar ao consulado, Graham Tidey trilhou caminhos diversos. De estoquista de supermercado a empreendedor, até ser nomeado cônsul em 2015, uma trajetória encarada com proatividade e ensinamentos que lhe deram ferramentas para assumir a função de representante do Reino Unido no Nordeste. No Estado, Graham firma parcerias nas áreas de pesquisa, investimento em empresas, turismo e desenvolvimento de projetos.

A Folha de Pernambuco não se responsabiliza pelo conteúdo das colunas.

veja também

comentários

comece o dia bem informado: