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Graham Tidey

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Rapper Black Alien
Rapper Black AlienFoto: Lucas Lima/Red Bull/Divulgação

Gustavo de Almeida Ribeiro, mais conhecido por seu nome artístico, Black Alien, um dos grandes ícones do rap nacional, é o convidado da vez no In Conversation. Com relatos e experiências de sua carreira artística e vida pessoal, o carismático músico que vem subindo aos palcos desde o início dos anos 1990 tem uma trajetória muito marcante, marcada por altos e baixos solavancos da vida.

Black Alien, ou também GusBlack Alien como é chamado, já esteve junto de outros artistas brasileiros em grupos como: Planet Hemp, Raimundos, Paralamas do Sucesso entre outros. O músico contou partes de sua carreira em que esteve com sérios problemas, vícios, tristezas e como fez para dar a volta por cima deles.

Histórias como essa transmitem inspiração e motivação para os leitores, esse é o foco desse artigo. Compor letras, fazer rimas, melodias, tudo isso é parte da vida de um artista como Gus. O compositor de canções como “Na segunda vinda”, “Como eu te Quero” e “Caminhos do Destino” foram algumas das marcas liricistas do cantor. Entretanto, para o artista nem sempre foi fácil fazer com que os problemas da vida pessoal não interferissem em suas capacidades de composição.

Com dificuldades em suas performances, Black Alien relembra: “Eu costumava celebrar vitórias além do normal, não soube lidar com minhas vitórias e, assim, no caso, no meu caso específico eu recorria ao álcool e a outras substâncias para poder dar conta do meu trabalho bem”.

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A bebida tinha se tornado uma válvula de escape para o músico, que acabou não se dando conta do problema maior que estava causando a si próprio. Apesar de tudo, era necessário fazer os shows, receber o cache para se manter na ativa como é de costume falar, mas foi difícil fazer tudo isso passando por um momento tão difícil: “Na televisão parece tudo bem, não dá para perceber, mas o indivíduo ali não está bem, eu não estava bem, mas foi feito o trabalho, o registro foi feito, ficou muito bem realmente, olhando da TV ali, eu estou cantando, está tudo certo, bem vestido e pá. Mas, estava alcoolizado, né?!” relembra.

Esses episódios ocorreram em diferentes ocasiões. A necessidade da bebida para fazer os shows e apresentações na TV eram iminentes. Black Alien percebeu que estava chegando a um ponto onde não estava conseguindo dar conta de seus impulsos: “Eu acho que minha própria consciência começou a me incomodar, ao ponto de eu estar mal de cabeça, de eu saber que estou numa situação difícil, que eu vou ter que resolver, que eu vou ter que parar tudo para resolver, que eu vou ter que parar aquele sucesso, que eu só dou conta bebendo” conta o músico.

O primeiro passo dado pelo artista foi ter reconhecido seu problema e resolver dar um basta naquele “círculo vicioso”. A dificuldade de produzir, juntamente com dois filhos pequenos tornaram seu coração em outro rumo, o da autodisciplina. O artista comenta o processo de reabilitação, com total transparência acima de tudo: “Eu acertei dívidas de agradecer, de me desculpar, de falar sobre a última vez que estávamos juntos, que eu estava no uso, de conversar um pouco, de saber como estar, de voltar aquelas pessoas naquele tempo ali, que eu eventualmente magoei, que eu prejudiquei. Então, tudo isso aí, eu acredito que nessa fase eu fui eu, eu resolvi razoavelmente”.

Pontos positivos e negativos marcaram a caminhada para recuperação de Black Alien, muitas reconciliações e bons hábitos possibilitaram ao cantor ter uma perspectiva maior em relação a sua vida e seu bem-estar: “Salvar minha vida, salvando o que mais está me incomodando, a minha obra está diluindo, então vamos lá, vamos resgatar minha obra, vamos me resgatar, para isso, o quê que vai me fazer levantar da cama, que eu não vou conseguir dormir?.” relembra o cantor.

Black Alien também destacou a maneira que as mídias sociais interferem em certos aspectos na vida das pessoas. É muito comum se deixar influenciar por fotos pintando uma caricatura da vida de cada um, afinal de contas, ninguém gosta de expor o lado ruim das vidas nas redes sociais.

Deixar-se influenciar por bens materiais, fotos mostrando luxos e tudo mais é uma maneira de perder o foco da vida e deixar o ego tomar conta: “Às vezes eu olhando essas ferramentas, mídias sociais, Instagram, Facebook eu não uso porque eu acho muito agressivo, pessoal muito agressivo, julga muito, julga e condena, falam absurdos, sobra até pra Deus. Então, eu uso mais o Instagram, mas é um instrumento que o pessoal é todo mundo bonito, tá todo mundo bem, com dinheiro, tá sempre na praia, viajando.”. O artista defende que não devemos invejar as pessoas por aquilo que elas possuem nem pelo que elas fazem. Esses sentimentos são artifícios que podem contrariar a felicidade de cada um de nós.

Essas são algumas das lições que podemos tomar com Black Alien. A importância de reconhecer os próprios erros e aprender com eles ajudaram o cantor a se tornar uma pessoa mais confiante e completa. Não foi do dia para a noite, mas sim por meio de um processo gradual que o mostrou o caminho para a sua recuperação, para voltar fazer aquilo que realmente gostava. Não se prender com futilidades, deixar as redes sociais pensar por nós não faz bem, então, tenha a capacidade de pensar por si mesmo e aproveite os momentos da vida de reflexão. O programa “In Conversation” é para pessoas como eu que encontram inspiração aprendendo com os comportamentos, mentalidades e experiências de pessoas bem-sucedidas.

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* Graham Tidey, que atua no consulado britânico do Recife há pelo menos três anos e está no Recife desde 2012. Com formação em música, até chegar ao consulado, Graham Tidey trilhou caminhos diversos. De estoquista de supermercado a empreendedor, até ser nomeado cônsul em 2015, uma trajetória encarada com proatividade e ensinamentos que lhe deram ferramentas para assumir a função de representante do Reino Unido no Nordeste. No Estado, Graham firma parcerias nas áreas de pesquisa, investimento em empresas, turismo e desenvolvimento de projetos.

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