Jorge Waquim
Jorge WaquimFoto: Divulgação

Por Jorge Waquim*

No instigante evento “rec’n’play” que durante três dias ocupou espaços em empresas e cafés do Bairro do Recife, assisti a uma palestra sobre água nas cidades. A palestra versava sobre soluções técnicas para melhorar o acesso à água e não destoou da qualidade de tudo o que aconteceu no evento.

No momento das perguntas, não resisti e levantei a mão para em resumo dizer que o problema da água nas cidades não é meramente técnico, mas político. Técnicas, já há uma pletora delas, cada dia mais robustas e baratas, para todo tipo de problemas urbanos. No entanto, precisamos de capacidade política suficiente para aplicar de maneira efetiva essas técnicas na solução do rol enorme dos urgentes problemas que afetam as cidades brasileiras.

Ora, vejam – continuei – grande parte do Recife sofre com torneiras secas dentro das casas e, no entanto, a cidade é cortada por vários rios perenes que são, contudo, poluídos. E Recife não está só: nas cidades grandes, médias ou pequenas no Brasil, se há um rio, este é poluído. Para resolver o problema, há um lado técnico, mas a técnica só se aplica pela política.

Claro está, a política da qual se fala aqui é a política no sentido amplo, abrange as políticas públicas de maneira geral, mas também a nossa relação enquanto sociedade com o solo urbano que ocupamos, com a floresta que deveríamos preservar, com a maneira pela qual a água é introduzida nos canos da cidade, etc.

E é esta conclusão também – uma questão política – a que chega um relatório* publicado nesta semana, cujo tema é a desigualdade no mundo. Lançado pela equipe de Thomas Piketty, autor de “O capital no século XXI”, o relatório aponta para a má qualidade das políticas públicas como umas das fontes da desigualdade. Seus autores correlacionam, por exemplo, uma melhor política pública na Europa para explicar um menor crescimento da desigualdade em relação aos EUA, que menos aplicou para mitigar o problema. E, afirmam, sem políticas públicas coerentes, o crescimento do PIB não implica necessariamente em uma melhor distribuição dos recursos, mas com frequência produz uma piora na desigualdade.

Se, nos países do Norte, pode-se falar em uma infraestrutura já existente para aplacar o problema das desigualdades, com cidades mais urbanizadas, rios mais limpos, sistema de ensino mais bem implantado, no Brasil o problema é mais agudo. E, em meio às crescentes desigualdades sociais no planeta apontada por aquele relatório, o Brasil vai confirmando que é o país do futuro por conseguir ser mais desigual dos que os outros.

A facilitação, pela aplicação de políticas públicas, do acesso à água, ao transporte público, à saúde, à habitação faz parte da mitigação da desigualdade social, problema grave e não mera retórica: além de problema humanitário e social, é um entrave ao crescimento do país. Um melhor acesso a esses recursos faz parte da promoção da igualdade, e essa promoção só se faz pela política.

*Jorge Waquim é filósofo pela Universidade Paris Nanterre.

Jarbas recebeu Paulo Câmara e o ministro Raul Jungmann
Jarbas recebeu Paulo Câmara e o ministro Raul JungmannFoto: Hélia Scheppa/SEI

No mesmo dia em que o deputado federal Danilo Cabral (PSB) afirmou que Jarbas Vasconcelos seria bem-vindo para ser candidato ao Senado pelo PSB, caso sofra derrota na convenção do PMDB e perca o controle do partido no estado, o peemedebista recebeu o governador Paulo Câmara (PSB), em seu escritório no Recife. A confraternização de Jarbas também contou com a presença do vice-governador Raul Henry (PMDB) e do ministro da Defesa, Raul Jungmann, entre outras lideranças políticas.

Na próxima terça-feira (19), o PMDB realizará sua convenção nacional. Nela, o senador Fernando Bezerra Coelho, que se filiou à sigla recentemente, espera receber o aval para assumir o comando do diretório estadual da legenda, a partir de uma modificação no estatuto do partido.

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A manobra de FBC vem sendo duramente criticada por Jarbas e seus aliados, que lutam na Justiça para não perder o controle da agremiação. Ainda nesta sexta (15), Raul Henry chegou a dizer que há um ambiente de mal estar e que espera que a direção do partido tenha bom senso na hora de decidir sobre mudanças no estatuto.

“O PMDB é um partido que tem a tradição de respeitar a posição dos seus diretórios estaduais. A expectativa é que o bom senso presida essa convenção e que a gente deixe para fazer mudanças no estatuto quando houver uma discussão mais ampla, mais profunda sobre o tema”, disse Henry após anúncio do convênio para a ampliação da estrutura da empresa Tigre em Pernambuco.

Presenças
Também estiveram presentes na confraternização de Jarbas o ex-governador de Pernambuco, Roberto Magalhães; os deputados federais Fernando Monteiro e André de Paula; e o deputado estadual Ricardo Costa; o sociólogo José Arlindo; o provedor do Real Hospital Português (RHP), Alberto Ferreira; o ex-presidente da OAB-PE Pedro Henrique Reinaldo; o presidente do Sindaçúcar Renato Cunha; o pintor João Câmara; e artista plástica Marisa Lacerda.

Professor Lupércio (SD) é o prefeito de Olinda
Professor Lupércio (SD) é o prefeito de OlindaFoto: Alfeu Tavares/Folha de Pernambuco

Apesar de garantir apoio ao governador Paulo Câmara (PSB), que pretende se reeleger, no ano que vem, o prefeito de Olinda, Professor Lupércio (SD), lamenta não ocupar espaços dentro da administração estadual. Em entrevista à Rádio Folha 96,7 FM, nesta sexta-feira (15), o prefeito ainda comentou sobre a movimentação do bloco de oposição no estado, que também deve apresentar uma candidatura majoritária.

Ao se referir à sua relação com Paulo Câmara, Lupércio garantiu que o socialista sempre foi muito “solícito”. “Das vezes que estive com ele, sempre demonstrou uma preocupação muito grande com a cidade de Olinda, como na questão da segurança, dos alagamentos, que houveram no ano passado. Quando vou ao palácio, ele tem sido bem solícito”, colocou.

No entanto, o gestor quer ocupar espaços “em alguma secretaria”. “Quando falo que não tenho espaço é porque não tenho espaço com o governo, desde quando fui deputado estadual. Eu já vinha lutando em relação a isso. Mas isso não impede de ter minha admiração, de ter meu apoio com relação ao governador”, externou.

Na sua visão, essa realidade não o impede de continuar na base de apoio ao socialista. “Eu, graças a Deus, estou andando com minhas próprias pernas. Isso não vai impedir nada. Mas é natural de você contribuir mais ainda a nível estadual. Hoje já tem uma contribuição a nível municipal. Mas quero contribuir a nível estadual”, disse.

Ao ser questionado sobre os passos do bloco de oposição, que conta com figuras como os senadores Fernando Bezerra Coelho (PMDB) e Armando Monteiro (PTB), Lupércio pontuou que acha “interessante ter outras vias, para que a população possa escolher quem é o melhor, quem já fez, está fazendo e vai fazer”.

No final de outubro, Lupércio se encontrou com o presidente estadual do PSB, Sileno Guedes, para tratar sobre seu apoio à reeleição de Paulo Câmara. Na mesma época, também se reuniu com Fernando Bezerra Coelho. Entretanto, decidiu marchar com os socialistas.

Raul Henry (PMDB)
Raul Henry (PMDB)Foto: Paullo Allmeida/Folha de Pernambuco

A poucos dias da convenção nacional do PMDB, marcada para a próxima terça-feira (19), o vice-governador de Pernambuco e presidente estadual da legenda, Raul Henry, afirmou, nesta sexta-feira (15), que há um ambiente de mal estar e que espera que a direção do partido tenha bom senso na hora de decidir sobre mudanças no estatuto.

Segundo Henry, a posição não é defendida apenas por Pernambuco, mas por um conjunto de dez estados que defendem que o PMDB precisa ampliar a discussão e que não haja mudança no estatuto. A alteração seria uma ferramenta para o grupo do senador Fernando Bezerra Coelho conseguir tirar o partido do comando do grupo do deputado Jarbas Vasconcelos.

“O PMDB é um partido que tem a tradição de respeitar a posição dos seus diretórios estaduais. A expectativa é que o bom senso presida essa convenção e que a gente deixe para fazer mudanças no estatuto quando houver uma discussão mais ampla, mais profunda sobre o tema”, disse Henry após anúncio do convênio para a ampliação da estrutura da empresa Tigre em Pernambuco.

Com informações de Ulysses Gadêlha, da Folha de Pernambuco.

Deputado federal Danilo Cabral (PSB-PE)
Deputado federal Danilo Cabral (PSB-PE)Foto: Agência Câmara

O deputado federal Danilo Cabral (PSB) está cada vez mais confiante de que a candidatura do ministro Joaquim Barbosa para presidente do País, no ano que vem, é o melhor caminho para o seu partido. Na visão do parlamentar, uma candidatura própria neutralizaria os problemas que podem ser causados em alguns estados, caso a legenda opte por apoiar alguma outra figura, como o próprio ex-presidente Lula (PT).

Em almoço com a imprensa, nesta sexta-feira (15), Danilo falou que o PSB pretende lançar dez candidatos a governador, nos estados da Paraíba, Pernambuco, Piauí, Sergipe, Amazonas, Distrito Federal, São Paulo, Amapá, Tocantins e Espírito Santo. Para ele, “quem você apoiar para presidente vai ter problemas em algumas dessas regiões”. “Uma candidatura própria, por exemplo, permite que Márcio França (Vice-governador de São Paulo) fique livre para tocar sua postulação”, colocou.

Neste sentido, o nome de Joaquim Barbosa começa a ser visto, dentro do PSB, como uma possibilidade cada vez mais palpável. O ministro já teve dois encontros com lideranças socialistas e ficou de dar uma resposta sobre o convite para se candidatar pelo partido entre janeiro e março. O número de parlamentares da sigla que aderiram ao projeto, inclusive, aumentou de oito para 20, após o último encontro com Barbosa. Ao todo, o grupo conta com 27 membros.

“Carlos Siqueira (presidente nacional do PSB) esteve duas vezes com ele e passou que ele precisa ser acolhido pela bancada para tomar sua decisão. Fomos ao último encontro com o ministro e a conversa foi muito boa. Ele mesmo disse que poderia marcar uma conversa maior com a bancada”, comentou Danilo Cabral.

Questionado sobre a pertinência da candidatura de Lula, o deputado destacou que o petista “é um grande candidato”. “Mas, quando você olha para o cenário nacional, isso muda”, pontuou.

Jarbas e o PMDB
Na ocasião, Danilo Cabral também falou que o deputado federal Jarbas Vasconcelos (PMDB) será bem-vindo ao PSB para se candidatar a governador, caso perca o controle do seu partido. O senador Fernando Bezerra Coelho se filiou ao PMDB e está disposto assumir o controle da agremiação para se candidatar a governador pela oposição. Esta confusão deve ser resolvida no próximo dia 19, durante a convenção nacional da legenda. “Se ele (Jarbas) quiser se filiar e sair para o senado pelo PSB, será bem-vindo”, ressaltou Cabral.

Coletiva de imprensa no MPPE sobre a Operação Gênesis, referente ao desvio de recursos no município de Quipapá. Na foto, Frederico Magalhães, promotor do MPPE; Ricardo Lapenda, coordenador da GAECO; Joselito Kherle, chefe da Polícia Civil
Coletiva de imprensa no MPPE sobre a Operação Gênesis, referente ao desvio de recursos no município de Quipapá. Na foto, Frederico Magalhães, promotor do MPPE; Ricardo Lapenda, coordenador da GAECO; Joselito Kherle, chefe da Polícia CivilFoto: Ed Machado/Folha de Pernambuco

Os resultados preliminares da Operação Gênesis, deflagrada na manhã da última quinta-feira (14), identificaram que um pool de empresas - até o momento são nove - atuavam em Quipapá, na Mata Sul do Estado, e outros municípios. Foram identificados pagamentos de R$ 18 milhões - valor liquidado até julho de 2017.

As informações foram divulgadas nesta sexta-feira (15) pelo Ministério Público de Pernambuco (MPPE), Polícia Civil de Pernambuco (PCPE) e Controladoria Geral da União (CGU). O foco principal da operação é a prefeitura de Quipapá, mas existem ações também em outros cinco municípios, incluindo o Recife.

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Os serviços, entre transporte escolar, construção de creches e unidades de saúde, eram terceirizados por essas empresas para outras que nem sempre cumpriam o serviço. Foram apreendidos nos computadores da prefeitura notas fiscais da empresa Genêsis Locações com o nome do arquivo "Nota de Alvaro", dono da empresa SA Souza; notas fiscais das empresas referentes a outros municípios; e boletins de medição com o timbre da empresa SA Souza.
 
Segundo o MPPE, foram desviados do transporte público um total de R$ 10.148.843,74, valor que poderia ter comprado 63 ônibus escolares.

As investigações apontam que os boletins de medições apreendidos, notas fiscais e conluio em procedimentos licitatórios confirmam, a princípio, a prática de venda de notas fiscais. Foi identificado também que os investigados, supostos comerciantes de notas fiscais, efetuavam habitualmente saques acima de R$ 2 mil em espécie.

De acordo com promotor de Justiça Frederico Magalhães, do Centro de Atuação Especializada no Enfrentamento ao Crime Organizado (Gaeco), a investigação surgiu pela informação de que empresas estariam atuando no município de Quipapá e não teriam condições de realizar os serviços ou que ninguém conhecia. Além de Quipapá, o pool de empresas atua em um grande número de municípios de Pernambuco, segundo informou. Durante a coletiva, não foram divulgados nomes dos envolvidos.

"Normalmente, essas empresas locavam veículos para poder prestar o serviço. Alguns serviços eram executados, outros não. Suspeitamos que a maior parte dos serviços contratados não eram executados por essas empresas ou simplesmente não eram executados", informou Magalhães. Ainda de acordo com o promotor, as empresas em questão se revezavam na contratação com o poder público para as mais diversas finalidades.



Outros valores
"De 2013 até julho de 2017, cerca de R$ 18 milhões foram pagos a estas empresas só no município de Quipapá. R$ 190 milhões é o valor que foi apurado em todo o Estado de Pernambuco, ou seja, em vários municípios, o montante contratado com algumas dessas empresas. Por que algumas? Porque no decorrer das investigações, elas davam conta de quatro ou cinco empresas, no correr das investigações nos apresentou outras três ou quatro empresas que têm atuação que integram esse pool. Essas três ou quatro empresas estão sendo identificadas e os valores estão sendo apurados. Essas outras três ou quatro, a nossa estimativa é que os valores possam atingir a marca nos municípios em torno de R$ 300 milhões. O site Tome de Contas do Tribunal de Contas, já aponta que cinco dessas empresas somam, no total, R$ 190 milhões contratados em todo o Estado", afirmou Frederico Magalhães.

Sede da Menezes Locações, em Orocó

Sede da Menezes Locações, em Orocó - Crédito: AMCS/MPPE


Empresas
Durante a coletiva, foram apresentados alguns casos que chamaram a atenção dos procuradores, envolvendo as empresas Menezes Locações e SA Construtora. A primeira tinha a sede em uma casa de tijolo aparente dentro de um assentamento em Orocó, no Sertão, e não possuía nenhum veículo. No entanto, ela foi contratada para prestar serviço de transporte escolar, tendo recebido R$ 2,185 milhões. A segunda empresa, a SA Construtora, recebeu R$ 6,56 milhões de Quipapá e disputava as concorrências contra a Menezes, apesar de seus donos serem genro e sogro.

Ulysses Gadêlha
Ulysses GadêlhaFoto: Ed Machado/Folha de Pernambuco

Por Ulysses Gadêlha*

As incertezas que antecedem 2018 nos deixam curiosos sobre qual saída será adotada para as crises política e econômica que, desde 2014, se abatem contra o País. Não compreendemos as variáveis que interferem na disputa eleitoral e no próprio futuro do Brasil. Vivemos o tempo do inimaginável. Vemos os atores políticos tradicionais mudarem de coloração partidária, fecharem alianças com ex-adversários, vemos reviravoltas institucionais, malabarismos no Congresso para aprovação de pautas que curiosamente não partiram da população e tampouco representa o seu interesse. É um tempo onde o fator “atípico” impera sem que haja uma explicação. Nós mesmos, jornalistas, temos dificuldade em interpretar o cenário, visto que a crise também é de sentido.

Mas e se um pensador dissesse que não há crise alguma? Parece loucura, visto as estatísticas de milhões de desempregados que nos chegam diariamente. Todavia, para alcançar o argumento, vejamos a etimologia da palavra crise: o momento que define a evolução de uma doença – para melhor ou pior. Atento a esse conceito, o juiz e professor acadêmico de Direito Rubens Casara criou uma tese sobre o “Estado Pós-Democrático” para afirmar justamente isto, que o discurso de crise é, na verdade, um novo modo de governar as pessoas em constante “estado de exceção”, justificando assim o abismo entre o interesse público e o que se advoga em Brasília.

Fazendo uma oposição entre Estado Democrático de Direito (onde supostamente vivemos) e um novo momento de exceção constante, Casara traz uma resposta que custamos a enxergar, de tão óbvia. “O que hoje se afirma como ‘crise’, não o é. Se a ‘crise’ é permanente, se a ‘crise’ não pode passar, não é de crise que se trata, mas de uma nova realidade, uma trama simbólico-imaginária com novos elementos que se diferenciam daqueles que constituíam a realidade anterior, uma realidade que, hoje, existe apenas como lembrança, embora essa lembrança possa produzir efeitos ilusórios de que aquilo tudo que não existe mais ainda se faz presente”, afirma o autor, no livro “Estado Pós-Democrático: neo-obscurantismo e gestão dos indesejáveis" (editora Civilização Brasileira, 2017).

O Estado Democrático de Direito estaria preocupado, primeiramente, em prover os direitos e garantias fundamentais a todos os cidadãos, o que não vemos ultimamente, já que há uma constante reprovação popular da agenda do Congresso Nacional e, à revelia da opinião pública, os congressistas seguem deliberando e aprovando conforme suas próprias consciências. “Pós-democrático é o Estado compatível com o neoliberalismo, com a transformação de tudo em mercadoria. Um Estado que, para atender ao ultraliberalismo econômico, necessita assumir a feição de um Estado Penal, de um Estado cada vez mais forte no campo do controle social e voltado à consecução dos fins desejados pelos detentores do poder econômico”, estabelece. Casara acredita que a política brasileira, hoje, produz um simulacro de democracia, que reveza soluções democráticas e autoritárias ao gosto de quem ocupa o poder.

Nesse bojo “Pós-democrático”, uma série de variáveis compõem o cenário para êxito do simulacro. Há o empobrecimento do imaginário aliado ao crescimento do pensamento autoritário na sociedade – vide Bolsonaro como “salvador da Pátria”. No poder judiciário, a figura do juiz se mistura com a do acusador, já que nada pode sair do controle daqueles que estão na parte de cima da hierarquia. A justiça passa a ser vendida como mercadoria (espetacularização do Sistema de Justiça Criminal – vide, em outrora, a condução coercitiva do ex-presidente Lula) enquanto ocorre a relativização da presunção de inocência. A própria polarização entre direita e esquerda é um produto desse momento “pós-democrático” que vivemos, uma vez que “a racionalidade neoliberal levou a novo processo de demonização da alteridade”.

O livro, por si só, faz um diagnóstico interdisciplinar preciso de todas as áreas da política brasileira, uma crítica necessária e contumaz que nos permite compreender a lógica em que estamos metidos. Mas, como o filósofo Vladimir Safatle bem compreendeu, o “poder aprendeu a rir de si mesmo”. Safatle denuncia a “falência da crítica” e a prevalência do “cinismo” enquanto lógica das coisas públicas. Em palestra no Recife, na Bienal do Livro, o filósofo até brincou: “não sei se haverá eleição em 2018”. O laboratório político, realmente, é capaz de tudo. E o cidadão comum, infelizmente, não alcança essa grave situação.

* Ulysses Gadêlha é repórter do Caderno de Política da Folha de Pernambuco.

Reunião do secretariado da Prefeitura do Recife
Reunião do secretariado da Prefeitura do RecifeFoto: Andréa Rêgo Barros/PCR

Mesmo diante das dificuldades enfrentadas pelas prefeituras brasileiras, a gestão do Recife fecha o ano de 2017 com uma economia de mais de R$ 370 milhões. Após reunião de secretariado comandada pelo prefeito Geraldo Julio (PSB), na tarde desta quinta-feira (14), o secretário de Planejamento da Capital, Jorge Vieira, afirmou que o montante é resultado de adequações feitas na estrutura da PCR.

Segundo Vieira, 2017 "foi um ano muito duro" e, por isso, foi preciso cortar na própria carne para se adequar. "Entre tudo, redução de cargo comissionado, redução de secretarias, redução de frota, renegociação de contratos, ação da cobrança do IPTU, a migração de massa na Previdência", afirmou o secretário.

Para o auxiliar do prefeito, essas ações possibilitaram a Prefeitura "manter seu foco" e manter as contas em dia. Segundo Vieira, também tiveram influência no pagamento do 13º salário, que será feito nesta sexta-feira (15), e a folha de dezembro, ainda em 2017.

O secretariado ainda discutiu sobre 2018. "Apresentamos o calendário para o secretariado do início do ano, que vai ser da pactuação das metas prioritárias, pactuação orçamentária e início do monitoramento das metas. É nesse início do ano que a gente vai pactuar as ações que vão acontecer em 2018", informou Jorge Vieira.

Com informações de Ulysses Gadêlha, da Folha de Pernambuco.

Deputado estadual Ricardo Costa (PMDB)
Deputado estadual Ricardo Costa (PMDB)Foto: Mandy Oliver/Folha de Pernambuco

O deputado estadual Ricardo Costa (PMDB) afirmou que o senador Fernando Bezerra Coelho, que se filiou ao seu partido e pretende levar a legenda para o campo da oposição ao governo Paulo Câmara (PSB), quer “botar Jarbas (Vasconcelos) como móveis e utensílios tombados”. Em entrevista à Rádio Folha 96,7 FM, nesta quinta (14), o deputado estadual também criticou veementemente a conduta do presidente Michel Temer (PMDB).

A disputa pelo controle do PMDB deve ter um desfecho neste sábado (17), quando será realizada a convenção nacional da sigla. Nela, a direção da legenda pode autorizar a dissolução da executiva estadual, através de uma mudança no estatuto do partido, possibilitando que FBC assuma o comando do PMDB-PE. O senador, inclusive, acredita que sairá vitorioso do processo, o que pode favorecer seu plano de se candidatar a governador.

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Na visão de Ricardo Costa, “é um grande desrespeito o que estão fazendo com Jarbas”. “Há poucos dias, quando da entrada de Fernando Bezerra Coelho no PMDB, ele esteve com Jarbas e disse que gostaria de entrar. Na ocasião, Jarbas disse que ele seria bem vindo. Depois, (FBC) disse que iria tomar o partido e botar Jarbas como ‘moveis e utensílios tombados’ e começar a protagonizar um movimento dentro do partido a inclusive votar contra a Frente Popular na próxima eleição”, colocou.

Ao falar sobre o recente encontro entre Jarbas e o presidente Michel Temer, para tratar do imbróglio partidário, o deputado estadual foi taxativo: “Não queremos conversa com o presidente Temer. Todo o Brasil sabe e Pernambuco também. Se ele quer punir Jarbas, ele sempre foi punido quando se rebelou em outros governos anteriores. Ele sempre fala o que pensa. Isso não vai mudar com presidente nenhum. Jarbas sempre vai ser assim, porque essa é a estrutura dele. Temer está cercado de pessoas que estão instruindo ele mal. Ele é fraco”, destacou.

Por fim, o deputado estadual negou que o seu grupo pensa em um plano B, caso perca o controle da legenda. “Não pensamos em alternativa. Pensamos no PMDB, que é nosso. Já ganhamos duas vezes pra eles na Justiça. Se por acaso vier alguma forma de golpe, aí sim vamos pensar no que vamos fazer”, finalizou.

Guilherme Uchoa foi reeleito presidente da Alepe em tarde marcada por uma pequena confusão na votação
Guilherme Uchoa foi reeleito presidente da Alepe em tarde marcada por uma pequena confusão na votaçãoFoto: Flávio Japa/Folha de Pernambuco

Em seu sexto mandato como presidente da Assembleia Legislativa de Pernambuco, o deputado estadual Guilherme Uchoa (PDT) é peça chave no jogo político atrelado à eleição do ano que vem. Tanto que os senadores Armando Monteiro (PTB) e Fernando Bezerra Coelho (PMDB), que lideram o grupo de oposição no estado e pretendem viabilizar suas candidaturas a governador, andaram procurando o pedetista para falar sobre possíveis alianças.

De acordo com Uchoa, só nos últimos dois dias, FBC ligou para ele três vezes. “Ele tem intimidade para ligar para mim”, garantiu. Armando Monteiro, por sua vez, teria enviado um recado para se encontrar com o pedetista. “Armando, através de Silvio Costa (deputado federal pelo Avante), perguntou se podia ir à minha casa, antes de ontem. Ou se eu ia à casa dele. Então eu disse: ‘diga a Armando que ele vá no meu gabinete. Na Assembleia, a hora que ele quiser. Estarei lá para conversar’”, comentou o deputado estadual.

Questionado se Armando estava, na verdade, querendo convencê-lo a migrar para o campo da oposição, Guilherme Uchoa brincou: “Eu não já fui? Pra que ficar indo e voltando feito couro de pescoço?”.

Para garantir o apoio dos pedetistas, o governador Paulo Câmara (PSB) já tratou de ampliar o espaço da sigla na administração, com a nomeação de Wellington Batista (PDT) como secretário de Agricultura, no final de setembro Na ocasião, o gestor afirmou que "O PDT e o PSB sempre foram partidos que aqui em Pernambuco estiveram juntos”. “Momentos de divergência foram pontuais. E hoje a gente tem, com a vinda do presidente e a entrada do PDT no nosso governo, é uma sinalização de que nós pensamos muito parecido. Nós temos mais convergências do que divergências".

Perguntado sobre a articulação do bloco oposicionista, que também conta com lideranças como os ministros das Minas e Energia, Fernando Filho (Sem partido), e da Educação, Mendonça Filho (DEM), além do deputado federal Bruno Araújo (PSDB), Uchoa provocou: “Para quê tanta gente?”.

“Eles podem forçar dois palanques para provocar um segundo turno. Mas quem vai pra forca? Eles vão ter que escolher. Não é uma eleição fácil. Agora, qual foi o ano que Pernambuco teve mais ministros do que agora? Estamos terminando o ano e todo esse povo é ministro. Qual foi o ano em que o estado recebeu menos dinheiro do governo federal para melhorar a saúde, a segurança? Isso é um a política raivosa”, pontuou. Ao ser indagado sobre o lugar do ministro da Defesa, Raul Jungmann (PPS), dentro deste contexto, o pedetista cravou: “Raul Jungmann é um acessório”.

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