Embaixador de Israel visita a Folha de Pernambuco
Embaixador de Israel visita a Folha de PernambucoFoto: Alfeu Tavares/Folha de Pernambuco

O embaixador israelense no Brasil, Yossi Shelley, fez uma visita de cortesia à Folha de Pernambuco, na manhã desta segunda-feira (18), e foi recebido pelo presidente do Grupo EQM, Eduardo Monteiro, e pelo diretor Executivo, Paulo Pugliesi; diretor Operacional, José Américo; diretora Administrativa, Mariana Costa, e demais membros do jornal. Na conversa, o diplomata falou sobre as possibilidades de parcerias com o Brasil e detalhou projetos inovadores que são executados em Israel. 

"Nós estamos muito honrados de recebê-lo aqui. Sua presença no jornal ilustra a Folha de Pernambuco, especialmente numa hora em que Israel e o Brasil estão muito mais próximos nesse novo governo", frisou Eduardo Monteiro.

Yossi Shelley, por sua vez, ressaltou que as "relações institucionais com o Brasil melhoraram muito" e que o novo governo tem uma "grande ligação" com o Estado de Israel. "Acho que essa é uma grande oportunidade de compartilhar e fazer uma troca de conhecimentos de ideias e tecnologia. Israel está conhecido como referência mundial em algumas áreas, como a da água e segurança pública", comentou. Durante o bate-papo, ele confirmou, ainda, a ida do presidente Jair Bolsonaro (PSL) para Israel, em março. 

Também participaram do encontro Sonia Sette, presidente da Federação Israelita de PE; Jader Tachlisky, diretor de Comunicação da Federação Israelita; e Boris Berenstein, assessor da presidência da Federação.

Demóstenes Meira (PTB), prefeito de Camaragibe
Demóstenes Meira (PTB), prefeito de CamaragibeFoto: Felipe Ribeiro/Arquivo Folha

O Ministério Público de Pernambuco (MPPE) está tomando as providências cabíveis para investigar possíveis práticas de improbidade administrativa trazidas à tona pela divulgação de áudios atribuídos ao prefeito de Camaragibe, Demóstenes Meira (PTB).

O procurador-geral de Justiça Francisco Dirceu Barros determinou à Assessoria Criminal do Gabinete da Procuradoria Geral de Justiça abrir procedimento investigativo criminal para apurar se o gestor cometeu crime de peculato, que é o uso indevido de recursos públicos para patrocinar fins privados e pessoais. Como prefeitos possuem foro privilegiado, uma eventual responsabilização criminal ficará a cargo do procurador-geral.

Já em relação à prática de improbidade administrativa, o procurador-geral encaminhou o material à Promotoria de Justiça de Camaragibe. A promotora de Defesa do Patrimônio Público, Mariana Vila Nova, instaurou procedimento para investigar o caso.

Ex-deputado estadual Ricardo Costa (PMDB) foi nomeado pelo presidente da Alepe, deputado Eriberto Medeiros para assumir novo cargo na Casa
Ex-deputado estadual Ricardo Costa (PMDB) foi nomeado pelo presidente da Alepe, deputado Eriberto Medeiros para assumir novo cargo na CasaFoto: Mandy Oliver/Folha de Pernambuco

O ex-deputado estadual Ricardo Costa foi nomeado para a Superintendência da Comunicação da Assembleia Legislativa de Pernambuco (Alepe) pelo presidente da Casa, deputado Eriberto Medeiros (PP). A estratégia é melhorar a aproximação da Alepe com a população.

“As atribuições dos deputados têm que ser esclarecidas, para que a população cobre à Assembleia, aos deputados o seu verdadeiro dever de casa”, afirmou o presidente, em entrevista concedida para TV Alepe.

Depois de aceitar o convite, Ricardo Costa demonstrou determinação de executar a tarefa que é vista como prioritária pelos membros da Mesa Diretora. “Com muita humildade, nós estamos chegando para somar”, define o ex-parlamentar. Em 2011, Ricardo Costa exercia seu mandato de deputado enquanto comandava a Frente Parlamentar da Comunicação.

Presidente Jair Bolsonaro
Presidente Jair BolsonaroFoto: Marcelo Camargo/Agência Brasil

Em sua conta oficial do Twitter, o presidente Jair Bolsonaro (PSL) anunciou, na manhã desta segunda-feira (18), que o leilão do Aeroporto Internacional do Recife/Guararapes - Gilberto Freyre, vai acontecer junto com mais outros 11 em todo País.

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Veja:


Twitter do presidente Jair Bolsonaro (PSL)

Twitter do presidente Jair Bolsonaro (PSL) - Crédito: Divulgação

Confira as principais manchetes de hoje
Confira as principais manchetes de hojeFoto: Divulgação

Folha de Pernambuco: "O Mais Querido é o novo líder"

Diario de Pernambuco: "Crise abre espaço para mais um militar no Poder"

Jornal do Commercio: "Quase demitido, Bebianno fala em 'esfriar a cabeça' "

Folha de S. Paulo: "Governo usa agenda contra crime; núcleo militar se fortalece"

Estado de São Paulo: "Alinhados a Guedes, Toffoli quer limpar pauta bomba"

O Globo: "Vasco campeão na final da vergonha"

Estado de Minas: "Fora de casa e sem informação"

O Tempo: "Moradores são tirados às pressas de áreas próximas a barragem"

Correio do Povo: "GM mantém pressão por redução de custos para investir no País"

Extra: "Vasco é campeão......em campo de batalha"

Zero Hora: "Ala militar quer indicar sucessor de Bebianno na Secretaria-Geral"

Valor Econômico: "Despesa com aposentados acelera e pressiona estados"

Correio Braziliense: "Sem Bebianno, foco do Planalto é a Previdência"

Fachada do Supremo Tribunal Federal (STF)
Fachada do Supremo Tribunal Federal (STF)Foto: José Cruz/Agência Brasil

A política, por mais que seja uma atividade de conflitos, possui situações em que o atrito gera o que pode se chamar de efeitos colaterais perversos. Pondo em risco a tripartição harmônica dos poderes, o embate entre Judiciário e Legislativo, nos últimos dias, traz à tona, mais uma vez, a percepção de que há uma disputa de forças em torno da opinião pública. No Supremo Tribunal Federal (STF), o julgamento da criminalização da homofobia, na verdade, debruça-se sobre uma possível omissão do Congresso. Na atual conjuntura, com uma das legislaturas mais conservadoras dos últimos 30 anos, a tentativa dos magistrados de tencionar os parlamentares a votarem uma pauta progressista - ou mesmo decidir pelos deputados - pode ser o gatilho para mais um novo episódio de uma crise institucional no Brasil.

Não é novidade ver o STF decidindo temas cuja responsabilidade, normalmente, recairia sobre o Parlamento. Assuntos polêmicos, na realidade, têm um custo muito alto para serem apreciados, como afirma o professor de Ciência Política da Universidade Católica de Pernambuco (Unicap), José Mário Wanderley Gomes. A pauta de costumes, que é cara a muitos dos novos deputados, exige dos congressistas mais debate, lidando com grupos de pressão contrários, e nem sempre eles estão dispostos a pagar o preço.

Na pauta do aborto, a permissão para interrupção da gravidez em casos de fetos anencefálicos, por exemplo, pode ser considerada como uma questão que o STF assumiu os custos políticos da decisão. Já o Conselho Nacional de Justiça (CNJ) colocou em vigor, em 2013, resolução que obriga cartórios em todo o País a realizar casamentos com casais do mesmo sexo. No ano passado, o Supremo também autorizou a alteração do registro civil de pessoa transgênero, independentemente da realização de procedimento cirúrgico de redesignação de sexo. Esses são casos na ceara progressista, mas na concepção oposta, é o Congresso quem capitaliza esforços.

Tramitam no Congresso propostas como o Escola Sem Partido, que se propõe a combater doutrinação ideológica na sala de aula, e o Estatuto da Família, que determina como entidade familiar a união estável entre homem e mulher. "Pelo perfil da Câmara dos Deputados, bastante conservador, a primeira impressão é de que esse será o mote deles. Eles trabalham em cima de interesses particulares e específicos e não medem consequências para conseguir alimentar a base deles", avalia o cientista político Rudá Ricci (MG).

De fato, há uma presença marcante de legisladores conservadores no Parlamento brasileiro. Eles não chegam a ser maioria, se a clivagem for a bancada evangélica - formada atualmente por 85 deputados, num universo de 513. O estilo dogmático, contudo, faz com que seu discurso seja mais estridente, ganhando mais repercussão por isso. A base aliada do presidente Jair Bolsonaro é formada, em grande parte, por deputados desse gênero. "É uma minoria barulhenta, assim como era a bancada do PT, quando entrou no Congresso", explica Rudá.

Na prática, a separação entre moderados e radicais explica os métodos e as visões de mundo da base bolsonarista. Uns, como é o caso do DEM dos presidentes Rodrigo Maia e Davi Alcolumbre, optam pela negociação e a mudança gradual. Outros, como o PSL da deputada Bia Kicis e Alexandre Frota, pretendem algo mais combativo. "Os mais extremistas têm um ego muito grande, porque não acreditam no coletivo, e por isso partem para soluções enérgicas, inclusive pondo em risco as pautas prioritárias, como a Reforma da Previdência", pondera o cientista mineiro.

No campo do Judiciário, há algumas interpretações possíveis, tendo ciência de que o tempo de apreciação das pautas, no Supremo, é totalmente político. "Por que tem essa judicialização tão grande de assuntos? Algumas deliberações são exclusivas do Parlamento, mas que abrem margem para interferência judicial. O Judiciário é uma instituição reativa, ele só entrou no jogo porque foi provocado. E há muitas questões a serem abordadas na Justiça, porque muito do ordenamento brasileiro está na Constituição", explica José Mário Wanderley.

Para Wanderley, a escolha deliberada de pautar, agora, a criminalização da homofobia atende mais a um desejo estratégico. "O processo começou em 2013. Durante todo o Governo Dilma e Temer, podiam ter pautado e não pautaram. Agora, com o Congresso conservador alinhado ao presidente da República, essa situação ganha outros contornos", acredita. "Julgar não significa aprovação. A partir do momento que você pautou o assunto, o julgamento tem que ser iniciado, mas não necessariamente concluído. Tem mecanismos como pedido de vistas, longos votos que ocupam duas a três sessões de julgamento e esse timing responde aos estímulos da opinião pública", argumenta o professor.

Na realidade, diante do cronograma de tramitação da Reforma da Previdência e com os escândalos que se abatem sobre o Palácio do Planalto, transferir a atenção do Executivo para pautas polêmicas de costumes, no Judiciário, seria uma cartada que, indiretamente, agradaria a Bolsonaro. Mas o recado fica como uma leitura de bastidores e, publicamente, cada ator cumprirá seu papel, defendendo o que acredita. A deputada Bia Kicis, que reapresentou o projeto Escola Sem Partido, é a mesma autora do pedido de revogação da PEC da Bengala. "No histórico desse embate entre Judiciário e Legislativo, no que diz respeito a questões polêmicas, o Congresso costuma ser mais conservador e a Suprema Corte mais liberal, nos costumes", alega o cientista político Elton Gomes.

O ressentimento dos deputados recém-empossados, segundo Gomes, se deve ao fato de que eles desejariam defender esses temas no Parlamento, porque rende prestígio político diante das bases, corroborando com a tese defendida por Rudá Ricci. "Os conservadores queriam que a criminalização da homofobia fosse a plenário, para poder derrotá-la, e os progressistas temiam que a proposta fosse ao plenário", pontua. "Nesse contexto de 'indecisividade', me parece que acontece uma forma de usurpação do Poder Legislativo por conta de um impasse", continua.
Por outro lado, o ministro do STF, Celso de Mello, critica a omissão do Poder Legislativo na votação de pautas de direitos humanos no Congresso Nacional. O vácuo nas decisões legislativas acabou dando margem para a disputa política entre os Poderes.

Rudá Ricci acredita, por sua vez, que a judicialização ou o ativismo judicial é consequência de poderes Executivo e Legislativo enfraquecidos pela cultura multipartidária que toma conta do País. 

Procuradoria Geral do Estado de Pernambuco (PGE-PE)
Procuradoria Geral do Estado de Pernambuco (PGE-PE)Foto: Divulgação

A possibilidade de negociar prazos e procedimentos judiciais de forma consensual, incluindo a regularização de débitos, foi uma das inovações do novo Código de Processo Civil (CPC), em vigor desde março de 2016, para conferir maior eficiência à solução de conflitos. Com o objetivo de disciplinar a realização dessas negociações, chamadas tecnicamente de negócios jurídicos processuais (NJP), nos processos em que o Estado de Pernambuco seja parte, a Procuradoria Geral do Estado de Pernambuco (PGE-PE) publicou, nesta sexta-feira (15), a Portaria nº 24/2019, no Diário Oficial do Estado de Pernambuco.

Antes do novo CPC, questões como escolha de peritos, prazos e ordem das etapas processuais, forma de cumprimento da sentença ou de regularização de débitos pelos contribuintes, por exemplo, eram definidas unilateralmente pelo juiz. Por meio dos NJP, as partes podem propor e acertar consensualmente, mediadas pelo juízo, o estabelecimento dessas e de várias outras questões, contribuindo para reduzir o litígio.

Com a nova portaria, o Estado de Pernambuco, sendo autor ou réu, ou a parte interessada podem propor NJP para estabelecer, por exemplo, um calendário processual, em que para as partes acordam as datas para cumprimento das etapas do processo, o que dispensa a realização de intimações. Nos processos de execução de dívida ativa, o contribuinte, por sua vez, pode apresentar um plano de amortização do débito ou propor avaliação, substituição e liberação de garantias. Não é possível obter desconto ou reduções no valor da dívida, mas pode ser feito um programa de pagamento.

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Entre outros objetos de NJP previstos na portaria estão: prazos processuais, forma de cumprimento de decisões, ordem de realização dos atos processuais incluindo produção de provas, penhora ou alienação de bens. Dessa forma, a portaria regulamenta a celebração de NJP pelos procuradores do Estado, estabelecendo hipóteses, requisitos, condições e procedimentos, de acordo com os artigos 190 e 191 do CPC e da Lei Complementar estadual 401/2018.

“A celebração de NJP possibilita uma atuação com mais flexibilidade, por parte dos procuradores, levando em consideração especificidades de cada caso concreto, tendo sempre como norte a resolução mais célere do processo e mais vantajosa ao interesse público”, avalia o procurador-geral do Estado de Pernambuco, Ernani Medicis. No âmbito da União, os NJP já foram regulamentados pela Advocacia Geral da União e pela Procuradoria Geral da Fazenda Nacional e, nos Estados, pelo Rio de Janeiro.

Presidente da Fundaj, Alfredo Bertini, recebeu comitiva do embaixador de Isral no Brasil, Yossi Shelley
Presidente da Fundaj, Alfredo Bertini, recebeu comitiva do embaixador de Isral no Brasil, Yossi ShelleyFoto: Divulgação

O presidente da Fundação Joaquim Nabuco, Alfredo Bertini, recebeu nesta sexta-feira (15) a comitiva do embaixador de Israel, Yossi Shelley. Na pauta do encontro, a criação do Núcleo José Alexandre Ribemboim de Pesquisas sobre os Judeus e Cristão-novos dentro da Fundação Joaquim Nabuco.

Bertini afirmou que a presença do embaixador Israelita reforça a presença da comunidade judaica e prestigia a aproximação entre o Ministério da Educação (MEC) e Israel. "Gostaríamos de contar com seu apoio diplomata nesta linha de trabalho para resgatar a história que explica uma parte do nordeste e precisa ser cientificamente evidenciada”, disse Bertini a Yossi Shelley.

Ele contextualizou a história da Fundação aos presentes, criada há 70 anos pelo sociólogo Gilberto Freyre com forte traços étnicos e culturais de negros índios, brancos e portugueses na colonização do Nordeste. “Resta em aberto a lacuna da presença histórica dos judeus desde os primórdios do descobrimento.”

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Em sua primeira visita à instituição, o embaixador afirmou que está aberto para selar a parceria. “A história do Brasil e dos judeus é muito forte e os dois sempre andaram juntos. Acredito que este seja o momento de fazer.”

O núcleo de estudos será coordenado por Jacques Ribemboim, filho do autor José Alexandre Ribemboim e professor de economia da UFRPE. “Podemos dizer que a população nordestina tem uma forte componente étnica de origem dessas famílias cristãs novas que vieram heroicamente para cá.” Ele esteve presente na reunião e resgatou a memória do pai, usando sua dedicação como motivação para criar esse centro de estudos.

Segundo Bertini, essa ação é uma continuidade do pensamento de Gilberto Freyre, de olhar pela liberdade de expressão e formar o homem nordestino de forma mais completa. “Esse esforço queremos trabalhar junto com vocês.”

Visita ao Museu do Homem do Nordeste (Muhne)

Visita ao Museu do Homem do Nordeste (Muhne)



Visita ao Muhne - Após a reunião, o embaixador seguiu para uma visita ao Museu do Homem do Nordeste (Muhne), mediada pelo próprio presidente Bertini. “Estou muito feliz e surpreso em ver o Museu. Antes dessa visita não se via sobre o nordeste, sua história e evolução. É impressionante,” comentou Yossi Shelley Na saída, teve a chance de conhecer a cana de açúcar no jardim interno do MUHNE.

Alex Ribeiro
Alex RibeiroFoto: Divulgação Facebook

A posse do juiz Sérgio Moro como superministro da Justiça é um “um gol de placa” como dizem alguns jornalistas no governo do presidente Jair Bolsonaro. Esta assertiva me foi apresentada em um dos programas de rádio de Pernambuco. Afirmei que o magistrado é uma das figuras públicas mais admiradas do País, mas a longo prazo as críticas à sua atuação devem aumentar.

Para isso podemos levantar as seguintes argumentações. A primeira é a mais previsível no cenário político: não se envolver com a velha política, ou seja, Moro assumiu um cargo prometendo varrer a corrupção num mar de figuras públicas que já estão entranhados em processos-crime. O diálogo com esses atores é necessário para aprovação de projetos de lei.

O magistrado também estará em posição delicada quando for lidar com casos suspeitos
envolvendo membros do governo, vide o caso do ministro da Casa Civil Onyx Lorenzoni – que confessou ter recebido caixa 2, mas depois disse que “se arrependeu”, afirmação que ganhou elogio do próprio Moro “tenho grande admiração por ele” –, como também no caso do secretário-geral da presidência Gustavo Bebiano , suspeito de repassar recursos eleitorais do PSL a candidatos laranjas nas eleições de 2018.

Sobre o episódio envolvendo Bebiano, Moro afirmou que será investigado. No entanto, este tipo de acusação também ocorre com o Ministro do Turismo, Marcelo Álvaro Antônio, e com um dos filhos do presidente, o senador Flávio Bolsonaro. Sobre estes dois últimos o magistrado silencia-se. A justiça se escancara mais uma vez como seletiva.

A segunda argumentação é sobre o pacote anticrime. Por contar com um significativo apoio popular Moro tem portas abertas para efetuar esse tipo de projeto. No entanto, órgãos como a Ordem de Advogados do Brasil (OAB) - que afirmam que problemas de segurança pública não serão resolvidos sem um diálogo com a sociedade -, e o Instituto Brasileiro de Ciências Criminais, que chamam o projeto de frágil, mostram as contradições do ministro. Afinal, ser transparente não é pensar no coletivo em vez de tomar decisões complexas com apenas uma canetada ?

A terceira argumentação é uma comprovação histórica. A politização da Justiça faz parte da formação do Estado brasileiro. No qual as funções dos magistrados se misturavam com as atuações policiais e políticas. Os olhos da história revelam que os homens de toga estão sempre em diálogo com outras figuras públicas do parlamento ou Executivo. Saindo dos bastidores, personagens como Marcelo Betras e Dalton Dallagnol mostram que suas movimentações vão além do corpo judiciário. Embalados pela onda Moro, estes dois últimos transparecem o seu lado político em prol do governo.

Sejam por interesses pessoais ou não, esses profissionais da lei podem até se tornar
conhecidos como imparciais pelo âmbito jurídico, mas não serão pelos tribunais da História.

Ou será possível afirmar que um juiz que assume um cargo de ministro logo após condenar o maior opositor a Jair Bolsonaro atuou apenas pelas letras que regem a lei brasileira ? É só observar as suas movimentações, as declarações de sua esposa nas redes sociais. A justiça dever ser sempre cumprida, mas quando a política não está envolvida – algo indissociável no Brasil atual.


*Por Alex Ribeiro, doutorando em História Política pela Universidade Federal da Bahia, cientista político pela UFPE e jornalista.

Devastação causada pelo rompimento de barragem da Vale, em Brumadinho (MG).
Devastação causada pelo rompimento de barragem da Vale, em Brumadinho (MG).Foto: Adriano Machado/Reuters/Direitos reservados

Tragédia. Essa parece ser a palavra que tomou conta das conversas em rodas de bar, nas filas dos supermercados, nas ruas, nos pontos de ônibus e em qualquer lugar onde se aglomerem pessoas para conversar no Brasil. A sucessão de eventos catastróficos no país vai dando a conhecer aos brasileiros que aqui não é exatamente a terra de nosso senhor, como escreveu Ary Barroso, mas, sim, o lugar das tragédias, do desastre inevitável, do terrível destino.

A execução de Marielle Franco no ano passado, o incêndio do museu nacional, o estouro da barragem em Brumadinho, os meninos sufocados e carbonizados no Ninho do Urubu, tudo isso parece confirmar que a palavra tragédia veio para ficar nas bocas. A esses eventos, somem-se a queda do helicóptero onde voava o jornalista Boechat e o assassinato de treze jovens no morro do Fallet no Rio de Janeiro nesta semana, bem como tantos mais outros acontecimentos parecidos e menos notórios que acontecem todos os dias no Brasil, em maior ou menor grau, e que atingem pessoas anônimas tocando suas vidas diárias.

No entanto, se a palavra “tragédia” pegou para nomear esses e outros acontecimentos, essa noção não é apropriada para explicá-los. Observe bem o leitor que essa palavra tem origem na Grécia antiga, onde eram encenadas peças nas quais os personagens estavam como que presos inexoravelmente aos seus destinos. Assim, a palavra “tragédia” traz consigo a ideia de algo que não poderia ser evitado. E, de todos esses eventos listados acima, qual deles pode ser de fato considerado como inevitável?

Em Brumadinho, o restaurante da empresa, onde morreram dezenas de pessoas, foi colocado a jusante da barragem, e nos relatórios da Vale, todo o desenrolar do desastre estava previsto, até a quantidade de pessoas que poderiam morrer; o museu nacional não tinha nenhuma proteção contra incêndio, era frágil e fragilizado, e sua destruição era somente uma questão de tempo; o jornalista morreu em uma queda de helicóptero, cuja empresa não tinha autorização para levar passageiros; as instalações do centro de treinamento do Flamengo eram impróprias para acomodar pessoas; os jovens assassinados no morro do Rio foram vítimas de um Estado que parece ter perdido o controle da situação e agora vai legalizar o abate sumário de pessoas, com a lei anticrime do ministro Moro. Nada há nesses acontecimentos de inexorável e, portanto, nenhum deles pode ser estritamente chamado de trágico.

As sociedades humanas já foram um dia vítimas involuntárias da natureza e do acaso, e as tragédias gregas espelhavam esse estado de coisas. É a partir da filosofia grega, sobretudo aquela que nasceu com Sócrates, que a razão passa a funcionar como arrimo para domar as forças na natureza; e com ela, nasce o cálculo para prever os acontecimentos, a tentativa de fuga do destino inexorável e o nascimento do Estado moderno, racional, fiscalizador, organizador dos embates entre os indivíduos, punindo quem quebra as regras, prevenindo desastres, se desviando do martelo trágico do acaso natural.

Tudo isso somado, tudo isso dito, o que ocorreu nesses últimos meses não pode ser chamado de tragédia, pois tudo aquilo estava previsto, estava calculado. Foi desleixo, usura, ganância, desobediência das regras ditadas pela lei, foi crime, permitidos por um Estado desorganizado e leniente.

O Estado, como concebido por aquele que é considerado por muitos um liberal, Thomas Hobbes, tem como tarefa primeira a de evitar a guerra entre indivíduos que compõem uma sociedade. O Estado, no Brasil, pena para encontrar o caminho racional da promoção da cidadania que implique a pacificação da sociedade, dificuldades patentes nos eventos cotidianos neste país que ceifam vidas humanas e que destroem o patrimônio nacional.

*Jorge Waquim, filósofo pela Universidade Paris Nanterre. 

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