Urna eletrônica
Urna eletrônicaFoto: Divulgação/TSE

A organização de toda eleição passa pela definição de um cronograma rigoroso para ser seguido por eleitores, candidatos e partidos políticos antes e depois do pleito. O calendário das eleições gerais de 2018 começou a valer já no primeiro dia do ano e nesta terça-feira (17) começa o prazo para o cadastro de eleitores que querem votar e não estarão em suas cidades no dia da eleição, é o chamado voto em trânsito.

O secretário Judiciário do Tribunal Superior Eleitoral, Fernando Alencastro, lembra que o voto é obrigatório, mas há situações em que o eleitor pode deixar de votar. “Por exemplo, se ele está em um estado diferente daquele em que ele tem o seu domicílio eleitoral, ele pode fazer uma justificativa. Se ele deixar de votar sem um motivo justificado, ele tem que fazer o pagamento de uma multa.”

As eleições vão ocorrer em 7 de outubro, no primeiro turno, e em 28 de outubro, onde houver necessidade de segundo turno.

Cada turno é considerado uma eleição diferente. A justificativa de quem não votou por estar fora do domicílio eleitoral poderá ser feita no mesmo dia da eleição. Existe também a possibilidade de apresentação da justificativa no cartório eleitoral no prazo máximo de 60 dias após a eleição.

Marilia Arraes é pré-candidata ao Governo do Estado
Marilia Arraes é pré-candidata ao Governo do EstadoFoto: Bruno Campos/Divulgação

De passagem pelo município de Catende, neste sábado (16), a vereadora e pré-candidata a governadora, Marília Arraes (PT), criticou a movimentação do PSB para atrair o apoio do PT e impedir o avanço da sua postulação. Na sua visão, o governador Paulo Câmara (PSB) quer “surfar” na popularidade de Lula, mas não faz uma defesa enfática do ex-presidente. “Sabemos que tudo isso é desespero dos nossos adversários, que tentam nos dividir porque sabem que vamos consolidar nossa candidatura e ganhar a eleição”, garantiu a parlamentar, em entrevista à Rádio Farol.

“A prioridade do partido é dar apoio à candidatura do presidente Lula. E o único palanque que tem condições políticas de fazer esta representação é o nosso. Afinal, temos um palanque que tem o senador Armando Monteiro (PTB), que é uma pessoa que foi sempre leal ao presidente Lula, mas por circunstâncias políticas precisou se unir à base que dá sustentação ao governo de Michel Temer. Do outro lado temos o palanque do atual governador, que não somente apoiou o impeachment, como articulou demais secretários que eram deputados federais e que foram liberados para votar contra a presidenta Dilma”, colocou Marília.

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De acordo com a petista, o governador anda com a popularidade em baixa. Desta forma, na sua visão, “quer surfar na popularidade do presidente Lula e ter o seu apoio”. “Faz uma defesa muito tímida do projeto de Lula e com isso acha que vai atrair o PT. Não adianta. Tem que mudar (...) Nós do outro lado temos compromisso do próprio presidente lula, que nos orienta sempre a continuar com a candidatura. Vamos seguir em frente com o que ele orientou”, disse.

Eugênia Lima, Dani Portela e Albanise Pires compõem a chapa
Eugênia Lima, Dani Portela e Albanise Pires compõem a chapaFoto: Cortesia

A plataforma "Se a gente governasse Pernambuco?" realiza dois encontros nos dias 17 e 18 de julho e debate o direito ao trabalho e como mudar a saúde no Estado. O primeiro deles acontece nesta terça-feira (17), às 18h30, na Câmara de Vereadores do Cabo de Santo Agostinho, e traz como tema 'O direito ao trabalho em Pernambuco'. Os dois encontros são abertos ao público.

O encontro desta terça tem como debatedores Mariângela Marques (professora de Logística Internacional e Comércio Exterior e educadora popular), Diego Liberino (presidente do PSOL do Cabo), Josias Leandro (professor de História), Amanda Palha (militante LGBT, estudante de Serviço Social e educadora popular) e Jô Cavalcanti (pré-candidata a deputada estadual e diretora do Sintraci).

Na quarta-feira será a vez da conversa sobre 'Como mudar a saúde de Pernambuco?'. O debate acontente no Comitê Coletivo PSOL, localizado na Rua Feliciano Gomes, nº 134, no bairro do Derby, no Recife. Estão confirmadas as presenças de Pedro Albuquerque (militante da unidade classista, mestre e doutorando em Saúde Pública pela Fiocruz), Renê Patriota (diretora da Aduseps e pré-candidata a deputada federal pelo PSOL) e Rodrigo Cariri (professor de Medicina Coletiva e Saúde da Família da UFPE).

As atividades fazem parte do projeto da plataforma, que está rodando o Estado discutindo temas como orçamento, comunicação, combate ao racismo, mobilidade, trabalho, saúde, educação, dentre outros temas que irão compor o programa de ação da chapa feminista composta pelas pré-candidatas Dani Portela, Gerlane Simões, e as pré-candidatas a senadoras Albanise Pires e Eugênia Lima.

A primeira atividade aconteceu em Garanhuns, com o tema LGBTI+. Além dos seminários, foi lançado no início do mês de maio o site do projeto, que pode ser acessado pelo link www.seagentegovernassepe.com.br. Os conteúdos também poderão ser acessados através da fanpage do projeto.

Jorge Waquim
Jorge WaquimFoto: Divulgação

Por Jorge Waquim*

Da copa do mundo, que chegou ao seu final com a vitória da França, tiram-se várias lições. Os especialistas de futebol que joguem a primeira pedra, mas uma dessas lições é que as equipes avançaram de maneira conjunta e com muita rapidez em sua abordagem técnica, em seus esquemas táticos. Seus jogadores fazem parte de um seleto grupo de equipes que disputam os campeonatos europeus – nacionais e regionais – campeonatos organizados e que chamam muito a atenção pelo espetáculo que proporcionam e que por isso mesmo giram muito dinheiro, diferentes em tudo dos nossos campeonatos brasileiros.

O nível dos jogos e do espetáculo foi, por isso, muito alto. As seleções de países periféricos do futebol mundial conseguiram, assim, mais sucesso do que que seria o caso até à copa passada, e a prova está na seleção de um país pequeno que chegou à final e que deu trabalho para a França, a seleção que na opinião de muitos terá sido mesmo a melhor.

Outra lição, essa até mais importante, pois extrapola a esfera meramente futebolística e financeira, é a mistura de cores das peles em muitas seleções. Muitos ainda insistem em chamar essas cores de peles diferentes de “raça”, como a querer separar os homens por uma essência, que ninguém nunca provou que existe. No fundo, cor de pele não passa de cor de pele, e esta será, a cada rodada da terra ao redor do sol, mais híbrida – menos escura, menos clara – e mais misturada. Pela cor da pele e pela origem recente de suas famílias, muitos nas mídias sociais acusaram os jogadores franceses de não serem exatamente franceses, de serem “imigrantes”.

Ignoram, com certeza, o perfil da sociedade francesa, que é progressivamente menos estritamente “gaulesa” e que aponta cada vez mais para o futuro da humanidade: a mistura de cores de pele e de pessoas de origens diferentes habitando um mesmo país e dividindo uma mesma nacionalidade.

Talvez até um dia essa divisão estrita por países na copa do mundo se tornará anacrônica, pois a origem das pessoas será cada vez mais heterogênea. Uma evidência disto foi o protesto de dois jogadores suíços contra a torcida sérvia. O símbolo que utilizaram para o protesto, e que imitaram com as mãos, foi a águia da bandeira albanesa, que indica sua origem, mas que ao mesmo tempo aponta para a mistura e a indeterminação que vem por aí. Vivemos tempos líquidos, e por isso mesmo o presidente dos EUA, em tudo o que diz e faz, soe anacrônico, pois não faz mais parte da ordem mundial um fechamento das sociedades e dos países sobre si mesmos. A hora é de abertura, como demonstra a Alemanha com o maior acolhimento de refugiados sírios dentre os países europeus.

Como se disse, e de acordo com o livro homônimo de Zygmunt Bauman, os tempos são líquidos, em um pessimismo com a humanidade que este articulista prefere evitar. Há sempre que se fazer um esforço de adaptação ao que está sempre em mutação: novas competências e novos entendimentos do que está acontecendo são necessários na desorientação provocada pelos mares revoltos desses modernos tempos. Se a celeridade das mudanças aponta para perigos, com a dissolução de Estados e de nacionalidades, elas também provocam oportunidades de mudanças positivas.

A copa mostrou com força e convicção essa nova faceta das sociedades e que as fronteiras entre nacionalidades e cores das peles são cada dia mais tênues e permeáveis. O jogador francês Mbappé foi fotografado cumprimentando uma das meninas do Pussy Riot, que invadiram o campo em pleno jogo para protestar contra o autoritarismo do governo do presidente russo. São dois mundos que se encontraram e que se enxergaram, selando os líquidos tempos presentes com um cumprimento mútuo e amistoso.

Da mistura de origens e de pessoas, o Brasil aprendeu há muito tempo, por isso a riqueza do futebol, da música e da cultura. Cabe a nós, neste momento de pós-copa e começo das campanhas para as eleições de outubro, pensar em como produzir um país com mais integração e mais inclusão de todos, em um mundo cada vez mais incerto.

*Jorge Waquim é filósofo pela Universidade Paris Nanterre

Geraldo Julio e Paulo Câmara acompanharam missa em celebração a Nossa Senhora do Carmo
Geraldo Julio e Paulo Câmara acompanharam missa em celebração a Nossa Senhora do CarmoFoto: Arthur Mota/Folha de Pernambuco

Nomes da política do Estado, como o governador Paulo Câmara (PSB), o prefeito do Recife, Geraldo Julio (PSB), e o deputado federal Mendonça Filho (DEM), participaram, na manhã desta segunda-feira (16), de celebrações da 322ª edição da festa em homenagem a Nossa Senhora do Carmo, padroeira da Capital. Por volta das 7h foi realizada uma missa na Basílica do Carmo, na área central do Recife, celebrada pelo frei Rosenildo Alexandre. Em 2018, a festa traz como tema "O rosto de Maria na Evangelização na Igreja".

O governador de Pernambuco, Paulo Câmara, afirmou que a Festa do Carmo significa muito para o povo pernambucano. "Todos os anos estamos aqui para agradecer, pedir proteção, dias melhores para esse momento de muita dificuldade pelo qual nosso País passa. Estamos trabalhando e rezando e Nossa Senhora do Carmo está sempre olhando para a gente", disse.

O prefeito Geraldo Julio destacou o trabalho de restauro na imagem da padroeira e da fachada da Basílica. "A imagem está em recuperação há seis meses. Eu tive a oportunidade de visitar esse restauro e o da fachada e ver esse trabalho que está sendo feito. Tanto a Prefeitura quanto o Governo do Estado têm interesse em ajudar a Igreja e colaborar com a arrecadação e, dentro do possível, participar para que a igreja fique mais bonita", disse. Ainda segundo o prefeito, a missa transmitiu o desejo de renovação da esperança por dias melhores. “Fica uma mensagem de esperança por um futuro melhor para o nosso País e para que a gente possa ter um ano melhor diante das dificuldades pelas quais o País vem passando”, pontuou.

O deputado federal Mendonça Filho (DEM), pré-candidato ao Senado

O deputado federal Mendonça Filho (DEM), pré-candidato ao Senado - Crédito: Arthur Mota/Folha de Pernambuco

Mendonça Filho, que é pré-candidato ao Senado pela Frente das Oposições, também esteve presente na festa e na missa. Mas, ao contrário do prefeito e do governador que participaram do ato no altar da Igreja, Mendonça acompanhou a celebração no meio do público.

Com informações de Geraldo Moreira, da Rádio Folha FM 96,7.

Rosendo: "Os pernambucanos vão eleger Armando"
Rosendo: "Os pernambucanos vão eleger Armando"Foto: Leo Caldas/Divulgação

O pré-candidato ao Governo do Estado e senador, Armando Monteiro Neto (PTB), anunciou o apoio do deputado federal Marinaldo Rosendo (PP) à sua candidatura, durante o aniversário do prefeito de Camaragibe, Demóstenes Meira (PTB), no último sábado. Entretanto, segundo o presidente do PP, o deputado federal Eduardo da Fonte, essa aliança entre Rosendo e Armando só acontecerá no âmbito municipal. Há uma determinação partidária de que todos os progressistas deverão apoiar o palanque escolhido num entendimento interno - cuja tendência é defender a reeleição do governador Paulo Câmara (PSB).

"Não deixei o PSB em vão. Depois que o ex-governador Eduardo Campos se foi, entendemos que Pernambuco precisa de uma mudança. E eu tenho certeza de que os pernambucanos vão eleger Armando governador", afirmou Rosendo, no palco da casa de evento, ao lado do pré-candidato ao governo e de seu companheiro de chapa, o deputado federal Mendonça Filho (DEM), pré-candidato ao Senado, e do também deputado federal Daniel Coelho (PPS).

O deputado federal Eduardo da Fonte, por outro lado, afirmou que esse apoio não acontecerá no plano estadual. "O que eu fiquei sabendo é que foi no âmbito de Camaragibe, porque o prefeito de Camaragibe, que apoia Marinaldo, vota em Armando", explicou o parlamentar. "Teremos uma reunião essa semana para definir esse assunto, mas tudo indica que (o nosso palanque) vai ser Paulo Câmara", aponta.

Acompanhado do vereador do Recife Romero Albuquerque (PP), Marinaldo esteve presente no anúncio da pré-candidatura de Armando Monteiro e Mendonça Filho, no dia 11 de junho, e defendeu a ida do PP para o palanque da oposição. "Se eu fosse o presidente do PP, eu já estava lá", comentou. Procurado, neste domingo (15), para esclarecer esse impasse, o deputado não pôde atender a reportagem, mas disse, por meio da assessoria, que a decisão do partido deverá prevalecer.

Presidente do PDT, Carlos Lupi
Presidente do PDT, Carlos LupiFoto: Fabio Rodrigues Pozzebom/ Agência Brasil

Após o governador Paulo Câmara antecipar seu apoio à candidatura do ex-presidente Lula (PT) na articulação interna do PSB, o presidente do PDT, Carlos Lupi, expressou confiança na decisão nacional que o partido tomará nos próximos dias. Acreditando em uma tendência majoritária em prol de Ciro Gomes entre os socialistas, Lupi avaliou que Paulo está “no seu direito, mas que, na hora H, o governador vai acatar a decisão da maioria”.

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Lupi foi categórico ao avaliar que o posicionamento de Paulo é parte de um coletivo. "A decisão do PSB vai ser nacional, é um direito dele (apoiar o PT), mas nós vamos esperar a decisão nacional. Continua tudo como está. Continuamos articulando", apontou. "Não acredito que (Paulo Câmara) se isole, porque, na hora H, ele vai ter que acatar a decisão da maioria", ponderou.

Para os socialistas, a prioridade é eleger o maior número de governadores e estabelecer uma bancada federal de 35 a 45 deputados. Nesse sentido, o PDT tem sido mais atrativo do que o PT, que não fez sinalizações efetivas para o PSB nos estados. Os petistas, por exemplo, retiraram a senadora Lídice da Mata (PSB) da chapa majoritária, na Bahia, e mantiveram a candidatura de Luiz Marinho (PT) em São Paulo. Aqui em Pernambuco, a candidatura de Marília Arraes (PT) segue firme.

Hoje, o PSB tem pré-candidaturas ao Governo em 11 estados e já conta com o apoio do PDT nos principais colégios eleitorais. Pernambuco foi um dos primeiros lugares onde essa aliança se confirmou. Em Minas Gerais, o apoio do PDT à candidatura de Márcio Lacerda (PSB) já foi consolidado - havendo, ainda, uma possibilidade de Lacerda figurar na vice de Ciro. Na última quinta, Lacerda disparou: "A hipótese de uma aliança nacional com o PT não é provável. Ou será o PDT ou o partido (PSB) não terá aliança".

No caso de São Paulo, Márcio França foi à mesa com Ciro Gomes e Lupi, quando recebeu uma sinalização de que a aliança está praticamente fechada. O governador Rodrigo Rollemberg (DF), por sua vez, já declarou publicamente seu apreço pelo nome de Ciro. "Tenho respeito e apreço por Marina Silva, Álvaro Dias e Alckmin, mas considero Ciro Gomes o nome mais adequado para liderar as forças progressistas", avaliou Rollemberg, na sua conta no Twitter.

No Amazonas e no Amapá, onde o PSB tem candidato, os governadores do PDT vão disputar a reeleição, tornando a aliança inviável. Para o presidente Carlos Lupi, não há mais o que ser feito. "A gente já fez o que tinha que fazer, agora temos que aguardar a resposta deles", afirmou o pedetista.

Felipe Oriá, professor da Fundação Getúlio Vargas, é um dos fundadores do movimento
Felipe Oriá, professor da Fundação Getúlio Vargas, é um dos fundadores do movimentoFoto: Divulgação

Em uma eleição marcada pela apatia, o pré-candidato a deputado federal Felipe Oriá (PPS-PE), 27, apelou para o Tinder, um aplicativo de paquera, para tentar despertar o interesse do eleitorado. Nessa rede social, pessoas curtem umas às outras e, quando a simpatia é mútua, dá-se o desejado match: os perfis se conectam.

O poder de sedução de Oriá vai bem. São quase 400 matches por dia, segundo ele, um dos fundadores do movimento suprapartidário Acredito, que prega a renovação política. O perfil está no ar há cerca de uma semana. Quando o paquerador percebe que o interesse é por seu voto, porém, as reações são as mais diversas. "Amigo, eu odeio política. Desculpas", cortou uma pessoa.

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"E eu pensando que Felipe Oriá tinha se encantado pelos meus olhos", divertiu-se uma enamorada. "Me encantei pelo seu apoio", respondeu o pré-candidato. "Se for pelo charme, meu voto já é teu, deputado", flertou um interessado. "Imagina pelas ideias então?", piscou Oriá.

Ele curte homens e mulheres sem qualquer critério, "até porque a campanha é bastante progressista no campo dos costumes". Fora das redes, é casado com uma suíça. Cientista político pernambucano com mestrado em Harvard, o pré-candidato diz que o flerte político é uma estratégia para engajar simpatizantes, em vez de bombardear adeptos de redes sociais com propaganda eleitoral. Até porque, observa ele, se quisesse competir com pré-candidaturas de porte, estaria desde a largada em desvantagem.

O Facebook, principal plataforma digital para campanha política, varia o valor do anúncio conforme a demanda, num modelo que a empresa chama de leilão. Quanto mais páginas querem falar com uma mesma audiência, mais caro custa o impulsionamento.
Assim, o investimento que Oriá fazia para atingir cem pessoas passou a alcançar dez, diz ele. "Não é nada trivial ter alcance sem dinheiro. O fundão [fundo eleitoral destinado a partidos] inunda as redes sociais", afirma.

No Tinder, entretanto, o approach é ainda mais restrito. Sem impulsionamento nem anúncio, fala-se com uma pessoa de cada vez e, no caso do pré-candidato, a intenção é desenvolver conversas genuínas sobre a eleição. É preciso ter uma equipe treinada para sustentar o papo.

"A pauta da campanha é inovação. Inovação para superar essa política do dinheiro, da paixão ideológica, do sobrenome hereditário há 300 anos. Então o pessoal pega logo o espírito", conta Oriá.

Deputado mais velho da Câmara, Bonifácio de Andrada (PSDB-MG), 88, não conhece o Tinder, mas considera a estratégia moderna. "Sei mais ou menos como funciona. É à base de brincar com as mulheres, fazer bobagem, é isso?", divertiu-se. "Há todo um movimento de curtição de fotografia de rede social."

Paulo Câmara
Paulo CâmaraFoto: Ed Machado/Folha de Pernambuco

O governador Paulo Câmara, vice-presidente nacional do PSB, destacou, na última quinta-feira (12), após reunião com a presidente nacional do PT, senadora Gleisi Hoffmann, que a “ala pernambucana no PSB é a maior do Brasil” e que faria “todos os esforços para que essa aliança (com o PT) se concretize”. No entanto, a tendência na sigla é de apoio ao PDT, do ex-governador do Ceará, Ciro Gomes. Diante disso, para evitar um racha interno, socialistas já trabalham nos bastidores para liberar os diretórios estaduais e assim conformar as alianças regionais.

Adiar a realização das reuniões da Executiva e Diretório nacionais do PSB, que seriam realizados em 18 e 19 de julho, respectivamente, demonstra a força que Câmara e o governador de São Paulo, Márcio França, possuem na legenda. Eles necessitam de tempo para conciliar interesses. Na Executiva há 42 membros com direito a voto, enquanto o Diretório possui 137 assentos. As decisões são obtidas a partir de maioria simples e o resultado do primeiro tende a ser confirmado no segundo, que é o decisório. Estes órgãos levarão o direcionamento do partido para a chancela na convenção, que será em 5 de agosto, data limite.

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Pernambuco possui, de fato, a maior bancada na Executiva, com seis votos, e no Diretório, com 19. Entretanto, essa maioria não se traduz em maior quantidade de apoios ao pleito pernambucano, que é se aliar ao PT, do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Atualmente, a tese de apoio petista possui de nove a 14 votos na Executiva e de 43 a 54 votos no Diretório, enquanto o apoio ao pedetista teria de 13 a 18 na Executiva e de 83 a 94 no Diretório. Isso porque três estados estão em aberto e dois membros da Executiva e quatro do Diretório podem votar tanto no PT quanto no PDT.

Segundo Câmara, outros estados do Nordeste, do Norte e do Centro-Oeste também têm interesse em apoiar o ex-presidente Lula, porém, ao ser questionado, não especificou quais. Juntos, os estados do Nordeste possuem 14 votos na Executiva e 47 no Diretório, mas os membros do Piauí e de Sergipe tendem a votar em Ciro Gomes. O do Ceará pode votar tanto no pedetista quanto no petista. No Norte, apenas Amapá e Acre estariam fechados com o PT. Os demais estados da região estão em abertos ou inclinados ao PDT.

Já os estados do Centro-Oeste gostariam de votar no ex-governador de São Paulo, Geraldo Alckmin (PSDB), porém, como uma resolução do partido determina aliança apenas a siglas de centro-esquerda, como PT, PDT, PCdoB e PSOL, estes membros devem optar por Ciro Gomes.

Os estados do Sudeste e do Sul tendem a votar em peso no pedetista, totalizando 19 votos na Executiva e 60 no Diretório. Nos últimos anos, a ala pernambucana perdeu dois grandes aliados tradicionais, o Rio Grande do Sul e o Paraná, que computam oito votos na Executiva e 16 no Diretório. Os paranaenses desejam apoiar o Podemos, do senador Álvaro Dias, mas, se não for possível, tendem a votar no ex-governador do Ceará.
Diante dessas variáveis, a neutralidade, outrora rechaçada, voltou a ser uma opção para evitar que a legenda saia rachada dessa eleição presidencial.

O deputado federal Julio Delgado (MG) avaliou que, apesar de a neutralidade ser ruim para o partido nacionalmente, deverá ser o caminho mais viável. “Se o estado de São Paulo, que é o maior colégio eleitoral e mais rico, juntar-se com Pernambuco, que é a terra de (Miguel) Arraes e de Eduardo (Campos) e o mais importante para o PSB, eles conseguem convencer os demais”, ponderou. Outro socialista, em reserva, corroborou com essa tese. “O caminho mais provável é o PSB não formalizar apoio e liberar os diretórios. É a forma de evitar o racha”, disse.

Na passagem pelo Recife, a dirigente petista Gleisi Hoffmann destacou que só interessa ao PT um apoio nacional ao ex-presidente Lula. Entretanto, apesar de não ser impossível, é muito difícil o PSB entregar, avaliam socialistas.

Mesmo esboçando confiança nas declarações, Câmara não possui nem o apoio de todos os aliados pernambucanos. Um dia depois do governador dizer que empreenderá todos os esforços para viabilizar o apoio ao PT, o deputado federal Felipe Carreras (PE) afirmou, via Twitter, que não votará no ex-presidente Lula e nem em deputado do PT. “Não sei a decisão que meu partido vai tomar. Respeito decisões partidárias. Tenho história no meu partido. Mas de uma coisa tenho certeza, não voto para presidente em Lula nem num candidato do PT”, escreveu. Carreras, todavia, não possui voto nas instâncias superiores socialistas. Até o fechamento desta matéria, a reportagem tentou contato com o presidente nacional do PSB, Carlos Siqueira, sem sucesso.

Armando Monteiro
Armando MonteiroFoto: Divulgação

Após mandar um recado em tom de crítica contra as movimentações de aliados em torno da formação da chapa oposicionista, o senador e pré-candidato a governador, Armando Monteiro (PTB) voltou a prezar pelo clima de harmonia e coesão, dentro do bloco. Durante visita a Petrolina, nesta sexta (13), chegou a elogiar o deputado federal Bruno Araújo (PSDB), que tratou de pleitear a vaga ao Senado e indicar o cunhado do deputado estadual André Ferreira (PSC) para a vaga de vice. Além disso, anunciou que a oposição agendou a convenção para o dia 04 de agosto.

“A gente construiu esse processo todo até hoje em um clima de muita harmonia e coesão. O que houve é que em algum momento haviam várias manifestações públicas que de alguma maneira não ajudava, ao meu ver, a criar e definir a melhor posição de encaminhamento. Essas posições poderiam emitir sinais públicos que não ajudariam a que a gente pudesse concluir essa tarefa que me foi delegada. Porque o que eu quis dizer em ultima instancia é que eu não imponho, que não sou eu que decido isoladamente. Mas eu coordeno”, colocou Armando durante entrevista concedida à imprensa local.

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Ao se referir à movimentação do PSDB, afirmou que o partido “é um grande construtor dessa aliança” e que Bruno Araújo pode ser escalado para “qualquer posição na chapa”. “É um dos pilares da aliança, porque estão presentes desde o inicio da construção. Tem importância e expressão e quadros. Inclusive do seu presidente, Bruno Araújo. Ele pode ter qualquer posição na chapa. Mas desde o início o PSDB também sinalizou que tem compromisso para buscar a melhor equação possível. Inclusive sinalizando até para essa posição de abertura em relação à necessidade de incorporarmos novos partidos para fortalecer mais ainda o conjunto”, disse.

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