André Ferreira
André FerreiraFoto: Arthur Mota/Folha PE

O deputado estadual André Ferreira (PSC) justificou, nesta quarta (11), o acordo feito com o deputado Bruno Araújo (PSDB) para colocar o vereador Fred Ferreira (PSC) na vaga de vice-governador pela oposição. Segundo ele, o tucano topou o desafio de disputar o Senado e seu grupo político teria legitimidade para participar da chapa majoritária, pelo peso eleitoral que a família Ferreira possui na Região Metropolitana do Recife. Mesmo assim, André sabe que estas indicações devem passar pelo crivo do grupo, liderado pelo senador Armando Monteiro (PTB).

De acordo com André Ferreira, a vaga ao Senado seria sua. Mas a morte do deputado estadual Guilherme Uchoa, que havia ingressado recentemente no PSC, mudou o cenário. Seu filho, Guilherme Uchoa Júnior, que iria ser o representante do partido na eleição para deputado federal, tentará agora ingressar na Assembleia Legislativa. “Com isso, tenho o compromisso de reforçar a bancada a nível nacional. Mudou a prioridade. Vou disputar para deputado federal”, colocou o parlamentar, em entrevista ao programa Folha Política desta quarta (11).

Na sua visão, o PSDB deve ser contemplado com a indicação para o Senado e Fred Ferreira seria candidato a vice de Armando. “Vamos construir dentro da frente de oposição uma posição para que nosso grupo seja contemplado. Sobra a vaga de vice”, afirmou.

Porém, Armando já tratou de mandar um recado para André e Bruno, demonstrando que não aceitará debates sobre vagas na chapa fora do ambiente interno. “Não sabia que se definia chapa pelos jornais. Como candidato a governador, com a delegação que recebi do conjunto desde a consolidação da formação da frente Pernambuco Vai Mudar, sou eu que coordeno o processo. Salvo se me for retirada essa delegação", ressaltou, em nota divulgada nesta quarta (11).

Sabemos que isso não deveria ser tratado pelos jornais. Se tivermos a vaga na majoritária, porque acredito que iremos participar da majoritária, temos um candidato que é competitivo, representa o voto evangélico e tem voto na Região Metropolitana. Agora claro que isso é definido por Armando e pelo conjunto de forças da oposição. Não será definido por Bruno, Daniel e Mendonça só. O grupo vai se sentar para decidir em conjunto”, informou André, durante a entrevista, antes mesmo da nota de Armando. A conversa para tratar dos rumos da oposição deve acontecer até a quarta-feira (18).

Confira a íntegra da entrevista com André Ferreira no Podcast Folhape:

Carlos Neves, advogado
Carlos Neves, advogadoFoto: Ed Machado/Folha de Pernambuco

Nos dias 18 e 19 de julho, a Escola Superior de Advocacia de Pernambuco (ESA-PE), da Ordem dos Advogados do Brasil Seccional Pernambuco (OAB-PE), realiza o II Congresso Pernambucano de Direito Eleitoral. O evento traz programação de palestras, painéis e debates para discutir aspectos do direito eleitoral no Estado e no País. Para participar é preciso realizar as inscrições no site da ESA-PE (www.esape.com.br).

Na programação, debates sobre a “Prevalência da inelegibilidade x registrabilidade”, “Como será o amanhã da propaganda e fake news” e “O novo desafio de financiamento e prestação de contas”.

O congresso também terá painéis sobre “Direito eleitoral em tempos de Lava Jato” e “Condutas vedadas aos agentes públicos”, além de palestras sobre os temas “Efeitos eleitorais das questões intrapartidárias”, “A liberdade de expressão”, “Os contos eleitorais e outras histórias” e “A mulher na política”.

Entre os profissionais convidados para palestrar, nomes como o do escritor Adriano Soares da Costa, o advogado e doutor pela Universidade Federal do Paraná Luiz Fernando Pereira, o secretário geral da presidência do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), Carlos Eduardo Frazão, o ex-ministro do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) Henrique Neves, e o advogado Ricardo Penteado, que integrou coordenações de campanhas presidenciais do País, entre outras personalidades do cenário jurídico local e nacional.

A abertura do evento será feita pelo presidente da OAB-PE, Ronnie Preuss Duarte, pelo presidente da ESA-PE, Carlos Neves, e pelo presidente do Tribunal Regional Eleitoral de Pernambuco (TRE-PE), Luís Carlos Figueiredo.

Para Carlos Neves, o congresso oferta aos advogados pernambucanos a oportunidade de debater com os maiores nomes do direito eleitoral do Brasil. “Os temas selecionados pela coordenação científica nos levarão a um grande crescimento, porque as questões abordadas trazem a realidade atual de um ambiente político muito confuso e conturbado, de uma tendente judicialização do processo político”, explica.

O congresso tem carga horária de 12 horas/aula. Maiores informações podem ser obtidas nos telefones (81) 3224-2425 e 3032-0679.

Presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia
Presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo MaiaFoto: Marcelo Camargo / Agência Brasil

O presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia, anunciou nesta terça-feira (10) à noite, logo após a aprovação do Projeto de Lei 10332/18 autorizando a venda de seis concessionárias de energia elétrica, que o projeto de privatização da Eletrobras não será mais votado neste ano.

Na semana passada, Maia havia se comprometido a pautar o projeto apenas após a definição das eleições presidenciais deste ano. Para Rodrigo Maia, a matéria deveria ser capitaneada ou não pelo futuro novo presidente da República. No entanto, após pressão de parlamentares da oposição, decidiu retirar a proposição da pauta de votações do segundo semestre.

“Informo que nosso acordo em relação à não votação do PL [projeto de lei] da Eletrobras está garantido e será conduzido dessa forma por esta presidência. Não votaremos o PL da Eletrobras neste ano", afirmou Rodrigo Maia, ao responder o questionamento feito pelo deputado Orlando Silva (PCdoB-SP).

A proposta estabelece que a privatização ocorrerá por meio do lançamento de novas ações no mercado até que esse número transforme a União em acionista minoritária. O projeto também prevê que, para preservar interesses estratégicos nacionais, os novos acionistas serão proibidos de acumular mais de 10% do capital da empresa.

A privatização da Eletrobras foi anunciada pelo governo em agosto do ano passado. De acordo com o Ministério de Minas e Energia (MME), o valor patrimonial da Eletrobras é de R$ 46,2 bilhões, e o total de ativos da empresa soma R$ 170,5 bilhões. O governo espera obter com a venda cerca de R$ 12 bilhões. A empresa é responsável por um terço da geração de energia do país.

Senador Armando Monteiro Neto (PTB), pré-candidato ao Governo de Pernambuco
Senador Armando Monteiro Neto (PTB), pré-candidato ao Governo de PernambucoFoto: Anderson Stevens/Folha de Pernambuco

"Não sabia que se definia chapa pelos jornais. Como candidato a governador, com a delegação que recebi do conjunto desde a consolidação da formação da frente Pernambuco Vai Mudar, sou eu que coordeno o processo. Salvo se me for retirada essa delegação". Com essa declaração, o senador Armando Monteiro (PTB) mandou um recado velado ao deputado federal Bruno Araújo (PSDB), que passou a pleitear a indicação ao Senado na chapa oposicionista.

O tucano teve uma conversa, nessa semana, com o deputado André Ferreira (PSC), que migrou para a oposição recentemente. Nela, os dois acertaram que o vereador Fred Ferreira (PSC), cunhado de André, seria indicado para a vice de Armando. Bruno, neste caso, ficaria com uma das vagas ao Senado, por ter o maior partido da frente. Esta proposta seria levada para Armando nos próximos dias.

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Porém, antes mesmo do encontro entre todos os membros do bloco para fechar as indicações, previsto para o início da próxima semana, Armando tratou reforçou que detém a responsabilidade pela coordenação do processo de formação da chapa. Nos bastidores do grupo, o entendimento entre André e Bruno, antecipado pelo Blog da Folha, nesta terça (10), pode inviabilizar a indicação do tucano para integrar a chapa majoritária.

Congresso Nacional
Congresso NacionalFoto: Wikimedia Commons

O Congresso Nacional tem sessão agendada para esta quarta-feira (11), às 18 horas, para votar três projetos de crédito suplementar para vários órgãos no valor total de R$ 1 bilhão. Além desses recursos, também está pautado o projeto de Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO) para 2019 (PLN 2/18). A matéria deve ser votada antes pela Comissão Mista de Orçamento, o que deve acontecer ainda nesta quarta-feira.

Segundo o relator do projeto, senador Dalirio Beber (PSDB-SC), para combater o desequilíbrio fiscal o texto propõe medidas como corte de despesas administrativas, veto a qualquer reajuste ao funcionalismo público e proibição de concessão de novos incentivos tributários às custas do orçamento.

A LDO é uma lei de vigência anual de múltiplas funções. Cabe a ela orientar a elaboração da proposta orçamentária e a execução do Orçamento no seguinte ano, estabelecer a meta fiscal, definir as ações prioritárias do governo e fixar parâmetros para as despesas dos Poderes, entre outros assuntos.

Votada a LDO, o Congresso pode decretar legalmente recesso parlamentar a partir de 18 de julho, suspendendo o prazo de tramitação das 23 medidas provisórias em análise atualmente. A sessão do Congresso será realizada no Plenário da Câmara dos Deputados.

Eletrobras
EletrobrasFoto: Divulgação

O anúncio de que o projeto de privatização da Eletrobras não será mais votado neste ano foi comemorado pelo presidente da Frente Parlamentar em Defesa da Chesf, o deputado federal Danilo Cabral (PSB). Na avaliação do socialista, a iniciativa “é uma importante vitória da mobilização da sociedade” e “demonstra que vale a pena lutar por nossos direitos e pela soberania nacional”.

“Não podemos permitir esse crime contra o Brasil e seu povo seja praticado. A Eletrobrás, a Chesf e o Rio São Francisco são patrimônio do povo brasileiro, um símbolo da soberania do País e, além de tudo, sua venda iria trazer consequências pesadas, sobretudo o aumento da conta de energia”, reforçou Danilo Cabral.

O deputado ainda destacou que, ao longo de 50 anos, a empresa estatal recebeu cerca de R$ 400 bilhões em investimentos e havia previsão de ser vendida por R$ 12 bilhões, de acordo com o orçamento do governo para este ano.

O presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia, anunciou na noite desta terça-feira (10), após a aprovação do Projeto de Lei 10332/18 autorizando a venda de seis concessionárias de energia elétrica, que o projeto de privatização da Eletrobrás não será mais votado neste ano. Prioridade legislativa do governo Temer em 2017, a privatização da Eletrobrás está em análise por uma comissão especial e só seria levada para votação no Plenário da Casa se obtivesse apoio da maioria, o que não ocorreu.

“Junto com os trabalhadores do setor elétrico, mobilizamos a sociedade e o Congresso Nacional, fomos à Justiça, ao Ministério Público para impedir a privatização. Temos que nos manter mobilizados para evitar que essa pauta retorne”, disse Danilo. Entre as ações citadas pelo deputado, uma emenda contra a privatização. Uma delas, excluindo a Chesf e a Eletrobrás do processo de venda do setor elétrico brasileiro. Também é da sua autoria a emenda que sugere a realização de um Referendo Popular para que a população decida a questão. A proposta de referendo foi aprovada na CCJ.

Raul Henry e FBC separados apenas pelo presidente do TJPE, Leopoldo Raposo
Raul Henry e FBC separados apenas pelo presidente do TJPE, Leopoldo RaposoFoto: Arthur Motta/Folha de Pernambuco

A disputa intrapartidária do MDB pernambucano promete continuar acirrada na batalha jurídica pré-eleitoral. Atualmente, o partido é presidido pelo vice-governador e pré-candidato à Câmara Federal, Raul Henry, aliado do deputado federal Jarbas Vascon­celos, mas pode haver mudança no controle da legenda se a opinião do vice-procurador-geral, Humberto Jacques Medeiros, prevalecer diante da liminar expedida pelo ministro Ricardo Lewandowski, do Supremo Tribunal Federal, que mantém os governistas à frente da sigla. O maior interessado na queda da liminar é o senador Fernando Bezerra Coelho, que espera subir no palanque oposicionista do senador e candidato ao governo estadual, Armando Monteiro Neto , colocando o MDB debaixo do braço.

Na segunda à noite, o vice-procurador opinou sobre o processo proveniente do STF e quer sua anulação, como relata nos autos. "Trata-se de conflito positivo de competência com pedido liminar suscitado pelo Movimento Democrático Brasileiro - MDB/Diretório Estadual de Pernambuco, tendo como suscitados o Tribunal Superior Eleitoral e o Tribunal de Justiça do Estado de Pernambuco", diz. "Nestes termos, o Ministério Público Federal posiciona-se pela revisão da liminar para se permitir ao Tribunal Superior Eleitoral a homologação da desistência do writ of mandamus e, em conseqüência, a extinção do presente conflito de competência. No mérito, entretanto, o Ministério Público Eleitoral manifesta-se pelo provimento do conflito de competência para determinar como juízo competente a justiça comum", diz.

Outro fator que pode ser negativo para o governador Paulo Câmara e favorável para Fernando Bezerra Coelho e oposicionsitas é o tempo da propaganda eleitoral gratuita. No caso de decisão favorável a Fernando Bezerra, o tempo de guia eleitoral também vai para a oposição.

Para o advogado Luís Gallindo, o entrave jurídico pode pender para o lado da oposição. "Muita água ainda vai rolar. Pode haver uma nova medida expedida durante o recesso. O partido precisa se autorregulamentar. A decisão do ministro Lewandowski é absurda", argumentou. Para o advogado Carlos Neves, nada poderá mudar o processo e caso volte à pauta da instância estadual o pedido será negado pelo TJPE. "Estão criando um fato novo. Não é uma decisão porque a PGR não tem força para anular uma decisão do Supremo. É só uma opinião", ressaltou Neves.

As coligações farão suas convenções partidárias entre os dias 20 de julho e 5 de agosto. Dentro desse período, mesmo havendo a homologação das candidaturas pode haver remarcação e reviravolta de novas convenções para serem marcadas a partir de decisões judiciais, que mudem o cenário da presidência do MDB em Pernambuco.

Carlos Siqueira é presidente do PSB
Carlos Siqueira é presidente do PSBFoto: Divulgação

Com a anuência do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, a presidente nacional do PT, senadora Gleisi Hoffmann, desembarca, nesta quarta-feira (11), em Pernambuco para as últimas conversas decisivas às eleições no Estado: à noite, reúne-se com a Executiva estadual do PT, com a pré-candidata ao governo estadual, vereadora do Recife, Marília Arraes (PT), e, nesta quinta (12), com o governador Paulo Câmara, vice-presidente nacional do PSB, no Palácio das Princesas. Apesar de ainda não formalizada, a reunião da Executiva nacional do PSB deve ocorrer em 18 de julho e a do diretório, dias 19 ou 20, o que sinaliza o prazo para resolução das articulações.

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Antes de visitar o Estado, a dirigente petista se reuniu, na manhã da última terça-feira (10), com o presidente nacional do PSB, Carlos Siqueira, na sede da sigla, em Brasília, para tratar da aliança entre os dois partidos. Não houve redefinição de status, mas a conversa sinalizou uma tendência de apoio ao ex-governador Ciro Gomes (PDT) ao Palácio do Planalto.

Na ocasião, Siqueira e Gleisi atualizaram as costuras em alguns estados, a petista reiterou o pleito - apoio à candidatura de Lula - e o socialista destacou que o seu partido não ficaria neutro na eleição: ou apoia Ciro ou o ex-presidente Lula, preso. O dirigente socialista, contudo, ponderou que não vê viabilidade na candidatura de Lula por causa da Lei de Ficha Limpa, o que sinalizou uma inclinação ao pedetista. Esta, inclusive, é a mesma percepção de outros socialistas. A vaga de vice para o PSB está na mesa para ambos os caminhos.

Após a reunião institucional com Siqueira, Gleisi aposta na conversa política com Paulo Câmara, tendo em vista o peso que ala pernambucana ainda pode ter no partido. Gesto semelhante ao de Ciro Gomes há duas semanas, quando esteve no Recife. O vice-presidente nacional do PSB, por sua vez, tenta conciliar os seus interesses com o dos demais correligionários, evitando um racha interno, que não seria bom para a legenda. A nota de Câmara e o manifesto assinado dos governadores - também endossado por ele - em favor do ex-presidente, no último domingo, foram vistos como gestos relevantes, mas, agora, os partidos precisam avançar.

Com o prazo chegando ao limite, petistas e socialistas já demonstram cansaço. Contudo, ainda tentam amarrar algumas pontas soltas. Gleisi, além de Pernambuco, vai à Paraíba e à Bahia conversar com os governadores Ricardo Coutinho (PSB) e Rui Costa (PT), respectivamente. Alguns movimentos nestes estados criaram desconforto à aliança. A Marília Arraes, a dirigente petista deve reforçar que ela está no jogo, com chances reais de se tornar candidata, mas pedirá calma até o desfecho do impasse.

   Lula

Nas hostes petistas, comenta-se que Lula estaria incomodado com a hesitação do PSB e do PCdoB em apoiá-lo. Afinal, no cálculo do líder petista, os governos do PT foram fundamentais para o crescimento destas legendas. No caso socialista, com a ajuda dele ao ex-governador Eduardo Campos, morto em 2014. Inclusive, a declaração do ex-presidente nacional do PT, Rui Falcão, e do coordenador geral do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), João Pedro Stedile, na última semana, em aceno a Marília Arraes era uma forma de vocalização a irritação de Lula.

   Ciro

Os líderes de partidos do centrão - formado por PP, DEM, PRB, Solidariedade, PSC e PR - deve se reunir até amanhã para discutir a eleição presidencial. Nos bastidores, avalia-se que há possibilidade do bloco apoiar a candidatura de Ciro Gomes ao Planalto e isso poderia trazer um problema à aliança do pedetista com o PSB. Alguns socialistas, em reserva, destacaram o incômodo em caminhar com estes partidos em formato de aliança, uma adesão posterior delas seria menos problemático.

Antunes considerou lamentável postura da gestão municipal
Antunes considerou lamentável postura da gestão municipalFoto: Arthur de Souza

O desembarque do Partido Social Cristão (PSC) da base do governador Paulo Câmara (PSB) começa a ter reflexos também na conjuntura política da capital, administrada pelo principal aliado do chefe do Executivo do Estado, Geraldo Julio (PSB). Apesar da migração ter ocorrido a nível estadual, na última semana antes do recesso parlamentar, os vereadores do PSC no Recife já ensaiaram um reforço ao bloco de oposição da Casa José Mariano. E por conta dessa mudança de postura, parlamentares sociais-cristãos têm sustentado que estão sofrendo revide da administração.

O primeiro sinal da retaliação teria sido a publicação no Diário Oficial do Recife, na semana passada, da exoneração de seis funcionários da Secretaria de Habitação. Os servidores seriam ligados à lideranças da sigla. Coincidentemente, a demissão foi feita um dia após os legisladores barrarem a votação de um projeto de lei do Executivo que autorizava a contratação de operação de crédito junto ao Banco do Brasil, na última sessão legislativa do semestre. Na ocasião, os vereadores da sigla social-cristã haviam puxados votos contrários ao projeto junto ao bloco de oposição e isso não teria agradado aos governistas. O projeto era de interesse estratégico do Palácio do Capibaribe. Caso fosse aprovado, seria contratado um investimento no valor de R$ 4.025.336,24. De acordo com o PLE, o montante seria destinado a custeio de obras do Geraldão.

De acordo com o vereador líder do PSC na Câmara do Recife, Renato Antunes, as demissões são “uma atitude lamentável da gestão municipal, uma vez que a oposição do PSC, ela se deu a nível estadual”, ponderou. De acordo com ele, o PSC integrou a Frente Popular do Recife nas últimas eleições e por isso, os legisladores mantinham “uma postura de consideração” com a prefeitura. “Particularmente, eu tinha um mandato de independência, tendo o entendimento de que a minha satisfação não devia nem a prefeito, nem tão menos ao PSC. Mas ao povo que me elegeu, mas se essa foi uma atitude, eu tenho certeza de que isso não partiu do prefeito. Mas da forma do PSB de fazer política”, afirmou. Com os parlamentares do PSC somados as articulações do bloco de Rinaldo Júnior (PRB), a depender do quórum do dia, o número de votos da bancada já começa a ser suficiente para barrar os projetos de lei do executivo de votação em 3/5, que precisam de aprovação de 24 vereadores.

De acordo com os vereadores, a Secretaria de Habitação, onde ocorreu as demissões, originalmente, contemplava quadros sociais-cristãos. O principal deles era o secretário-executivo da secretaria. Com a saída dele, os demais indicados do partido também teriam deixado a pasta. No entanto, de acordo com a assessoria da Prefeitura do Recife, os desligamentos se trataram de “exonerações a pedido”.

Bruno Araújo é o nome mais cotado para o Senado. Fred Ferreira ficaria com a vaga de vice
Bruno Araújo é o nome mais cotado para o Senado. Fred Ferreira ficaria com a vaga de viceFoto: Paulo Allmeida e Câmara Municipal do Recife

Com a proximidade do período de convenções, os presidentes do PSC, André Ferreira, e do PSDB, Bruno Araújo, estão articulando a indicação para as vagas remanescentes na chapa majoritária da oposição. No presente acordo, os tucanos ficam com o segundo espaço do Senado, para o qual Bruno Araújo é favorito. Já o PSC ocuparia a vice, tendo como preferido o vereador do Recife Fred Ferreira. Ainda no campo dos bastidores, o entendimento deve vir à tona na próxima semana. Caberá ao senador Armando Monteiro (PTB), na condição de pré-candidato ao Governo e líder do palanque, chancelar esse pacto.

O “clã Ferreira” chegou à oposição certo na segunda vaga do Senado, mas diante do falecimento do ex-presidente da Assembleia Legislativa, Guilherme Uchoa, que era peça estratégica no PSC, o deputado André Ferreira foi obrigado a rediscutir seu plano. “Tenho conversado com Bruno Araújo, alinhando a questão da vaga do Senado. Eu disse a ele dos acontecimentos em relação a Guilherme, da ida de Junior (Uchoa) para deputado estadual. Tenho compromisso de ter um deputado federal do partido”, explicou André, deixando implícito que assumirá a postulação para a Câmara Federal. “A participação nossa, na majoritária, teria que acontecer em outra posição.”

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Segundo André, o nome do vereador Fred Ferreira para a vice seria o mais indicado, no momento. “É um representante legítimo do nosso grupo na chapa majoritária”, pondera. Contariam, a seu favor, o fato de ser alguém jovem e identificado com o eleitorado evangélico. Pesaria contra, por outro lado, a sua característica metropolitana, já abundante na chapa - devido aos nomes de Mendonça Filho (DEM), que já disputou a prefeitura do Recife, e do próprio Armando Monteiro, que teve ampla votação na Região Metropolitana em 2014.

Para a segunda vaga do Senado, o PSDB estaria cogitando entre Bruno Araújo, o ex-prefeito de Jaboatão, Elias Gomes, e o vereador do Recife, André Régis. "O PSDB contribuirá na chapa com um novo modelo de gestão para Pernambuco", afirmou o presidente da sigla, em nota. Na leitura dos bastidores, onde se sublinha o seu pragmatismo, Bruno é dado como certo, por vários motivos. Devido à sua atuação no plano nacional, na qual ficou marcada a passagem pelo Ministério das Cidades, acabou adquirindo um status diferenciado na sigla.

O recente arquivamento de denúncia contra o ex-ministro, no âmbito da operação Lava Jato, também colaborou para que ele se convencesse da viabilidade em disputar o Senado. Retirar Elias Gomes do páreo do Senado, por sua vez, é um movimento que contempla o grupo de André e do prefeito de Anderson Ferreira, rival dos Gomes em Jaboatão dos Guararapes.

A articulação ainda traduz o movimento de inviabilizar a possível indicação do deputado federal Daniel Coelho (PPS) para senador. Desde que Daniel era filiado ao PSDB, Bruno tem desavenças com o colega de oposição. Daniel estaria sendo instigado a ocupar o espaço e, em resposta, Bruno traz, por seus interlocutores, um argumento de força, sinalizando que o PSDB é o maior partido da chapa e mereceria um espaço à altura.

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