Alepe
AlepeFoto: Henrique Genecy/ Folha de Pernambuco

As codeputadas das Juntas (PSOL) divulgaram uma nota para denunciar uma abordagem racista que teriam sofrido na Assembleia Legislativa de Pernambuco (Alepe). Segundo a nota, uma das assessoras do mandato, fotógrafa e cineasta, foi impedida por um policial de entrar no Plenarinho III, onde faria a cobertura da sessão. Ela então teria chamado três mulheres do mandato, entre elas duas codeputadas para falarem com o agente policial.  Segundo relatam, ambas foram alvo de comentários machistas e racistas

A reportagem entrou em contato com a assessoria da Alepe, mas ainda não obteve resposta.

Confira a nota:

"Racismo e machismo no Parlamento

Hoje pela manhã uma assessora negra da mandata das Juntas foi barrada na entrada do Anexo II da Assembleia Legislativa de Pernambuco pelo segurança da Casa. Fotógrafa e cineasta, ela se dirigia ao Plenarinho III para cobrir com vídeos e fotos a reunião ordinária da Comissão de Defesa dos Direitos da Mulheres quando foi abordada de maneira agressiva pelo policial, que a questionou sobre a motivação da sua presença. A profissional trabalha há quase três meses no espaço e estava segurando uma câmara fotográfica, identificando com clareza a função que exerceria no espaço. Três mulheres da mandata, duas delas Codeputadas, foram chamadas pela assessora para confrontar a abordagem e também foram alvo de comentários machistas e racistas.

A Superintendência de Segurança da Casa foi imediatamente acionada e notificada do episódio inaceitável (é a segunda conversa sobre o tema em menos de um mês). O nome disso é racismo institucional, que se manifesta em práticas e comportamentos discriminatórios adotados no cotidiano e que sempre colocam pessoas negras em situação de desvantagem em espaços públicos e privados, nas relações institucionais e políticas. Não aceitaremos a naturalização da violência que pressupõe perfis adequados para estar numa casa parlamentar, que é a casa povo.

A Mandata das Juntas é formada por 70% de mulheres e 50% de pessoas negras e tem sido foco frequente de abordagens machistas e racistas. São comentários sobre as roupas, sobre os cabelos, perguntas grosseiras sobre se trabalham ou não na Casa, entre outras formas de assédio moral e discriminação que não acontecem com outras pessoas que trabalham no mesmo espaço. A mandata é feminista e periférica, com forte presença de pessoas negras, em diversas funções. A diversidade da equipe representa vários segmentos da sociedade que são discriminados todos os dias por sua classe, sua cor, seu gênero.

Não é um caso isolado. Deputadas estaduais negras como Mônica Francisco e Dani Monteiro (PSOL/RJ) foram barradas em espaços da assembleia local, assim como as deputadas federais Talíria Petrone (PSOL/RJ) e Áurea Carolina (PSOL/MG), no Congresso Nacional. Como forma de iniciar uma mudança cultural, as Juntas vão propor um treinamento sobre o respeito e diversidade racial a servidores, o que Mônica Francisco nomeia de “Instrução contra o racismo institucional”. Não é possível calar e invisibilizar as violências. As Juntas foram eleitas para mover as estruturas".

A Alepe emitiu uma nota de esclarecimento sobre o assunto:

"A respeito da nota veiculada pelo mandato coletivo Juntas (PSOL), a Assembleia Legislativa de Pernambuco, enquanto instituição, não compactua com qualquer tipo de discriminação. Os fatos narrados estão sendo apurados, dado que a Presidência da Casa toma conhecimento dessa situação pela primeira vez. Esclarecemos que, dentro da rotina da Alepe, há um disciplinamento do acesso, para garantir a segurança de todos. Medidas administrativas vêm sendo implementadas, como a utilização de crachás e catracas, para assegurar tratamento impessoal a todos que circulam nas dependências da Assembleia.

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