Fogo Cruzado

Inaldo Sampaio

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Inaldo Sampaio
Inaldo SampaioFoto: Arthur Mota

Doutor Armando Monteiro Filho foi sobretudo um político ético, corajoso e coerente. A ética significava para ele um compromisso de vida desde quando assumiu a Secretaria de Viação e Obras no governo de Agamenon Magalhães, seu sogro, com menos de 30 anos de idade. Foi neste período, aliás, que iniciou sua vida pública pelo glorioso PSD (nada a ver com o de Kassab), que teve como suas maiores expressões, além do próprio Agamenon, JK, Tancredo Neves, José Maria Alckmin e Amaral Peixoto. Para ficar apenas nesses cinco. Permaneceu nesse partido até 1965 quando o então governo militar, por um ato de força, extinguiu os partidos da época e implantou o bipartidarismo. Levou para a Arena os que apoiavam a nova ordem e empurrou para o MDB os que lhe faziam oposição. Doutor Armando havia sido ministro da Agricultura do gabinete parlamentarista de Tancredo Neves (embora por apenas 9 meses) e, provando ser um político de coragem, optou pela oposição. Poderia - como fizeram outros grandes empresários de Pernambuco - ter-se acomodado no partido governista ou mesmo abandonado a política para cuidar apenas dos seus negócios, mas escolheu o caminho mais árido. Abrigou-se no MDB (nada ver com o de Romero Jucá) por entender necessário fortalecê-lo para levar adiante a luta pela reconquista da democracia. No entanto, a coerência política foi o que mais marcou sua vida pública. Tendo sido ministro do presidente João Goulart, deposto pelo golpe de 64, ficou ao lado dos que caíram com ele. Inicialmente no MDB e depois no PDT, partido fundado por Brizola, após o retorno do exílio, para empunhar as bandeiras do velho PTB (nada a ver com o de Roberto Jefferson) que havia saído do seu controle para as mãos da deputada Ivete Vargas por uma manobra política do general Golbery do Couto e Silva, principal ideólogo da ditadura. Ter sido, portanto, a um só tempo, um político ético, gentil no trato, generoso, desassombrado e coerente foi a marca registrada deste grande pernambucano que nos deixou ontem aos 92 anos de idade.

Fora de cogitação
A cúpula da Frente Popular já decidiu que não dará uma vaga de senador ao deputado André Ferreira (PSC) tal qual exige o irmão, Anderson (PR), prefeito de Jaboatão dos Guararapes. A FP entende que mesmo que Anderson não marche com ela, o apoio à reeleição de Paulo Câmara na área metropolitana está de bom tamanho: os prefeitos do Recife, Olinda, Paulista, Cabo, Abreu e Lima e Goiana, e a oposição de Igarassu, Ipojuca, Camaragibe e São Lourenço.

Religião > Jaboatão foi sede anteontem de dois grandes eventos evangélicos patrocinados por políticos locais. O prefeito Anderson Ferreira (PR) promoveu o “Dia Municipal de Ação de Graças” com shows de cantores evangélicos e o deputado Cleiton Collins (PP) o evento “Salvando vida com Jesus”. O governador Paulo Câmara foi a este último.

A força > Petrolina terá 6 candidatos a deputado federal nas próximas eleições, o que mostra a pujança do município: Fernando Filho (sem partido), Gonzaga Patriota (PSB), Adalberto Cavalcanti (Avante), Lucas Ramos (PSB), Júlio Lossio (PMDB) e Guilherme Coelho (PSDB).

Discórdia > Políticos que vão disputar mandato nas próximas eleições não estão mais interessados em tempo de rádio e televisão, e sim na dinheirama do “fundo eleitoral”: R$ 1,7 bilhão. Sem financiamento privado, cresceu o interesse de todos, o que é natural, por essa bolada.

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