Fogo Cruzado

Inaldo Sampaio

ver colunas anteriores
Inaldo Sampaio
Inaldo SampaioFoto: Colunista

O ex-governador Joaquim Francisco, em entrevista ao “Roda Viva Pernambuco”, anunciou que o PSDB, ao qual está filiado há cerca de dois anos, resolveu mandar às favas os escrúpulos de consciência e estará na base de apoio ao presidente eleito Jair Bolsonaro. A linguagem do candidato do PSL nada teve a ver com a linguagem de Geraldo Alckmin, que foi o candidato tucano a presidente da República. Muito pelo contrário, Alckmin chegou a compará-lo ao coronel Hugo Chávez, da Venezuela, que produziu o que há de mais atrasado no país vizinho: o presidente Nicolas Maduro. Nada obstante, já no segundo turno da eleição, os três candidatos do PSDB que venceram eleição para governador declararam apoio a Bolsonaro: João Doria (São Paulo), Eduardo Leite (Rio Grande do Sul) e Reinaldo Azambuja (Mato Grosso do Sul), contrariando a opinião do ex-presidente FHC e do senador José Serra, que pregaram a neutralidade. Bolsonaro não reservou nenhuma de suas 20 pastas para os tucanos, mas nem precisou. O partido entrou de corpo e alma no governo, abdicando definitivamente de sua história e do seu passado de legenda que nasceu de uma costela do MDB para defender a social democracia. Joaquim e o deputado Bruno Araújo comandam o pelotão bolsonarista em Pernambuco, que até agora está contemplado apenas na equipe de transição do futuro governo.

Transição republicana
Coube ao empresário Gilson Neto, sobrinho do ex-deputado Gilson Machado, recentemente falecido, indicar Joaquim Francisco e o publicitário Osvaldo Matos para a equipe de transição de Bolsonaro. Joaquim está satisfeito com a indicação e diz que o ambiente no Centro Cultural do Banco do Brasil, no DF, onde Bolsonaro monta o governo, é o mais “republicano” possível.

Duas bandas > A entrada do PSDB no governo Bolsonaro dividirá o partido em duas bandas. Uma liderada pelo governador eleito de SP, João Doria, e outra pelo senador José Serra. O ex-presidente FHC e presidente de honra do partido, contrário à adesão, vai dedicar-se a palestras.

O atraso > Ainda não se cogita no governo Paulo Câmara acordo com os grandes contribuintes de ICMS de Pernambuco para permitir que o Estado possa pagar até o próximo dia 20 o 13º salário dos servidores. O governo Jarbas fez isto em 1999 para pagar folhas em atraso deixadas por Arraes.

O dono > O deputado federal eleito Sílvio Costa Filho (PRB) já é presença garantida na base de apoio a Bolsonaro, apesar de seu pai, Silvio Costa, que não se elegeu senador, ser oposição. Silvinho não reza pela cartilha dele e nem do pai, e sim da Igreja Universal que é a dona do partido.

Sem briga > Até o primeiro governo Lula, era grande a briga nos partidos governistas pela indicação de dirigentes de cargos de 2º escalão na região Nordeste: Chesf, Codevasf, Dnocs, Sudene e BNB. Bolsonaro é presidente eleito há 40 dias e ninguém toca neste assunto.

Desaparelhar > Um dos maiores desafios do presidente eleito Jair Bolsonaro é “desaparelhar” a máquina pública federal que o PT “aparelhou” nos 14 anos de governos Lula e Dilma. Quem pensa que isso será fácil aguarde o resultado. O PT colocou gente sua em todos os escalões governamentais.

veja também

comentários

comece o dia bem informado: