Apartamento do senador Aécio Neves é alvo de busca e apreensão em Ipanema, no Rio de Janeiro
Apartamento do senador Aécio Neves é alvo de busca e apreensão em Ipanema, no Rio de JaneiroFoto: Alessandro Buzas/Futura Press/Folhapress

O afastamento de Aécio Neves, senador por Minas Gerais e presidente do PSDB, foi ordenado, na manhã desta quinta-feira (18), pelo ministro Edson Fachin, relator da Lava Jato no Supremo Tribunal Federal (STF). Fachin negou o pedido de prisão de Aécio feito pela Procuradoria Geral da República (PGR) e vai submeter ao plenário do Supremo o pedido. Na quarta, denúncias foram feitas de que Aécio foi gravado pedindo R$ 2 milhões à JBS.

A Polícia Federal e do Ministério Público Federal realizam, nesta manhã, mandados de busca e apreensão na casa de Aécio Neves.  Há também um mandado de prisão preventiva contra Andrea Neves, irmã do senador, e contra o procurador da República Ângelo Goulart Vilela, do TSE (Tribunal Superior Eleitoral).

Também são alvos da operação o senador Zezé Perrella (PMDB-MG), o deputado Rocha Loures (PMDB-PR) e Altair Alves, conhecido por ser braço direito do deputado Eduardo Cunha. Buscas também são feitas na casa do coronel João Baptista Lima Filho, ligado a Temer.

Os cerca de 40 mandados foram autorizados pelo STF (Supremo Tribunal Federal). Entre os locais de busca, segundo investigadores, estão a residência de Aécio no Rio e em Brasília, de Andrea, no Rio, e o Congresso. Há pelo menos um mandado de prisão.

Entenda a situação
O presidente Michel Temer foi gravado por um dos donos do grupo J&F, proprietário da marca JBS, falando sobre a compra do silêncio do ex-deputado federal Eduardo Cunha (PMDB-RJ). Temer teria indicado para resolver a questão o deputado federal Rodrigo Rocha Loures (PMDB-PR), que posteriormente foi filmado recebendo uma mala com R$ 500 mil enviados por Joesley Batista.

Executivos do grupo J&F afirmam que o senador Aécio Neves foi gravado pedindo R$ 2 milhões a um dos donos da empresa, Joesley Batista, para pagar sua defesa na Operação Lava Jato.

Segundo os executivos da JBS, a quantia foi entregue a um primo do tucano, em ação filmada pela PF. A gravação que supostamente compromete o senador Aécio Neves tem 30 minutos e foi entregue à Procuradoria-Geral da República (PGR). Deve integrar acordo de delação premiada, que aguarda homologação do ministro do Supremo Edson Fachin. O dinheiro teria sido depositado em uma empresa do também senador tucano Zeze Perrella.

A JBS esteve na mira de investigações da Polícia Federal em diferentes frentes desde 2016. Na sexta-feira (12), a PF deflagrou operação sobre supostas irregularidades na concessão de empréstimos do BNDES. O juiz responsável, Ricardo Leite, de Brasília, negou um pedido de prisão contra os donos da empresa. Em janeiro, uma operação mirou o grupo ao apurar suspeitas de concessão de créditos pela Caixa Econômica.

Na noite de quarta (17), quando as acusações vieram à tona, o senador Aécio Neves (PSDB-MG), um dos acusados pela JBS, deixou o plenário do Senado pela lateral, sem comentar as acusações.

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